70 de 70 trabalho(s) aceito(s)
A IMPORTANCIA DAS BONECAS ABAYOMI PARA A HISTÓRIA DO COMBATE AO RACISMO
ANTÔNIA KACIA SOUSA BEZERRA; GRAÇA SEBASTIÃO FILIPE; VITÓRIA D'AVILA SERAFIM DE BARROS; ANTÔNIA SUELE DE SOUZA ALVES PEREIRA
As bonecas Abayomi são artefatos artesanais tradicionais de origem africana que representam símbolos de resistência cultural e empoderamento. Este trabalho tem como objetivo destacar a importância das bonecas Abayomi como instrumentos efetivos na promoção do antirracismo. Por meio de uma revisão abrangente da literatura e análise de estudos de caso que, para Gil (2002) “consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento[...]”. Este estudo examina o impacto positivo que as bonecas Abayomi, enquanto patrimonio cultural, podem ter na construção de uma consciência antirracista desde a infância, e como a história e contrução dessas bonecas podem ser trabalhadas dentro da sala de aula em forma de oficina explicativa e expositiva. Simboliza resistência e poder da população negra e afrodescendente Exploramos como a construção Abayomi contribui para a representatividade e para a valorização da cultura e história afro-brasileira, desafiando estereótipos e incentivando a apreciação da diversidade étnico-racial. Os resultados evidenciam que as oficinas com as bonecas Abayomi desempenham um papel significativo no fortalecimento da autoestima de crianças negras, promovendo a identificação positiva com sua herança cultural e estimulando a valorização da própria aparência e ancestralidade. Este estudo contribui para a área de educação antirracista ao destacar a relevância das bonecas Abayomi como ferramentas pedagógicas na desconstrução de preconceitos e na promoção da igualdade racial. Recomenda-se que essas bonecas sejam incorporadas em ambientes educacionais, como escolas e espaços de aprendizagem, para promover a diversidade, o respeito mútuo e a valorização das diferentes culturas presentes na sociedade.
Palavras-chave: abayomi,racismo,cultura
Oral
Abrir o trabalhoO MARACATU UINU ERÊ COMO RELATO DE EXPERIÊNCIAS VIVENCIADAS NA CULTURA AFRO-BRASILEIRA E INDIGENA COMUNIDADE DO SITIO BELO HORIZONTE (CARRAPATO) CRATO- CE.
PAULO CESAR DO NASCIMENTO
O referido trabalho faz parte de um conjunto de experiências desenvolvidas no espaço de educação popular, com o resgatar da identidade e ancestralidade do maracatu Uinu Erê como expressão da cultura afro-brasileira, a partir de práticas socioeducativas realizadas na comunidade do Sitio Belo Horizonte (carrapato) Crato-ce. Tem como objetivo de estudo relatar a importância do maracatu Uinu Erê como manifestação artística da história e cultura afro-brasileira, com foco no espaço não formal da educação. Será utilizado método fenomenológico que procura trabalhar as relações do homem com a natureza. Os procedimentos metodológicos definidos são: revisão de literatura, arquivo fotográfico e midiático, gravações de entrevistas ou questionário e discussão com base no material didático-pedagógico para o ensino a partir dos conceitos-chave relacionado à temática. A pesquisa tem a pretensão de ressignificar o processo educativo desenvolvido por ação do maracatu Uinu Erê, sendo este uma expressão cultural e artística que trabalha a identidade e história da manifestação afro-brasileira e indígena, com o ensino da educação comunitária que se dá por meio de experiências construídas no espaço vivido, como resultado da pesquisa várias oficinas foram feitas como; reciclagem e confecção de instrumentos criação do projeto do ponto de cultura e da biblioteca a oca literária e da rádio comunitária. Diversas ações já foram desenvolvidas na comunidade em um processo de educação continuada no decorrer do tempo e espaço promovendo a interação de crianças, jovens e adultos no espaço não formal da educação, proporcione ao sujeito entender sua realidade local aprende que essa cultura é ancestral o processo de desenvolvimento da expressão cultural a partir do maracatu é um resgate para compreender a nossa própria história e desperta esse sentimento de pertencimento individual e coletivo.
Resumo Simples
Abrir o trabalho"Mapeando os circuitos ritualísticos dos povos indígenas nas romarias de Juazeiro do Norte"
MARIA RAYNARA DE BRITO MACEDO; Luiz Wendesteny Silva Teixeira; Fabiana Gonçalves de Souza
Neste trabalho, temos como objetivo apresentar o mapeamento dos circuitos ritualísticos dos povos indígenas, visando compreender suas práticas culturais e espirituais, bem como a sua inserção sociocultural nas romarias de Juazeiro do Norte. Para tanto, inicialmente foi realizado um levantamento bibliográfico e documental, em seguida uma pesquisa de campo e produção de mapeamento, que vem sendo desenvolvida. Até o momento, os resultados obtidos pela pesquisa indicam que durante as romarias, os povos indígenas reterritorializam os espaços do município, através de suas tradições, rituais e práticas devocionais, preservando suas memórias. O processo histórico dos povos indígenas no Nordeste brasileiro é caracterizado por duas fases distintas. Incialmente houve um processo de apagamento de seus territórios, práticas e ritos. Após isso, eles ressurgem com movimentos de resistência, se apropriando de estratégias como o catolicismo popular que une as tradições da Igreja Católica com as culturas populares e crenças indígenas e africanas, resultando em uma cultura religiosa sincretizada. Visto isso, a formação socioespacial de Juazeiro do Norte é profundamente influenciada pelo catolicismo popular, em que uma de suas principais manifestações é a romaria. Nesse contexto, é crucial reconhecer a presença dos povos indígenas nas romarias da cidade, através de mapeamentos de suas matrizes e práticas espaciais, dando visibilidade e contribuindo para suas lutas.
Palavras-chave: Mapeamento,Visibilidade Indígena,Espiritualidade,Índios romeiros
Oral
Abrir o trabalhoAS CONTRIBUIÇÕES DAS CONTAÇÕES DE HISTÓRIAS PARA A EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS
IDENTIDADE DO POVO BRASA (BALANTA): DANÇA DE KUSSUNDÉ
JOÃO N'BUNDÉ; Wilma Graciete Silva Gomes; Lívia Paulia Dias Ribeiro
O objetivo deste trabalho é de contextualizar a dança kussundé, que é identidade do povo brassa em Guiné-Bissau, no ensino de ciências da natureza, contemplando Lei nº10.639/03. O país Guiné-Bissau, situado na costa ocidental da África, possui cerca de dois milhões da população e mais de trinta (30) etnias. Entre essas etnias o povo brasa (balantas) contém cerca de 30% da população total, sendo o grupo etnico com maior número de povo guineense. O Brassa (Balantas), segundo alguns relatos são povos originários do Sudão, Egito e Etiópia que migraram a partir de século X a XIV para a norte da Guiné-Bissau, fugindo de alguns reinos e outra coisa que os levaram à emigrar é a busca de melhor terra para cultivar (trabalho de campo ou lavoura) e para criação dos gados. Denominado atualmente como “Blantas” que literalmente significa os que resistem ou os que não gostam de obrigações, imperatividade, esse grupo etnico não possui nenhum chefe e nem líder ou melhor eles não gostam ser chefiados com ordens, as decisões costumam ser discutidas e aprovadas no conselho dos anciãos. O kussundé é compreendido como uma festa-dança realizada de forma competitiva para a comemoração do bom ano de colheita de arroz nas tabancas (aldeias) e nas comunidades vizinhas. É também realizada como forma de agradecer os que já partiram deste mundo, e de pedir proteção para a tabanca. Existem duas formas de dança de kussundé: uma é feita entre os moradores da mesma aldeia e outra de aldeias diferentes. A dança é composta por três fases: nghaies, dany kussundé e n’guatch (conhecido como m’pebe). Os instrumentos utilizados na dança são: bumbulum menor, carneiro, braçadeira sonora, coco de manga amarrada nos pés, espelho, pano de pinte, e outros.
Oral
Abrir o trabalhoA CAPOEIRA DO CEARÁ: CONTRIBUIÇÕES PEDAGÓGICAS AFRORREFERENCIADAS PARA EFETIVAÇÃO DA LEI Nº 10.639/03 NAS ESCOLAS
JOSÉ OLÍMPIO FERREIRA NETO; FRANCISCO ORISMÍDIO DUARTE DA SILVA
A Roda de Capoeira é um artefato da cultura negra, com dimensões material e imaterial, reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil e da Humanidade. No Ceará, os capoeiristas começaram a se organizar em grupos a partir da década de 1970, em diálogo com capoeiristas, da Capoeira Angola e da Capoeira Regional, de outros estados. Essa relação interestadual, permitiu o contato com diversas formas de expressar essa produção cultural afro-diaspórica, entre elas uma percepção afrorreferenciada, que trabalha a partir de valores e princípios. Sendo assim, pergunta-se: quais os valores civilizatórios de matriz africana podem ser trabalhados por meio da Capoeira na escola? Essa pergunta, gera o objetivo geral que consiste em averiguar as contribuições pedagógicas afrorreferenciadas da Capoeira do Ceará nas Escolas. Nesse sentido, compreender os conceitos de africanidades e afrodescendências, por meio de pesquisa bibliográfica, e perceber a relação com a Capoeira, seus saberes e fazeres, por meio da imersão em campo, é fundamental para o desenvolvimento de uma proposta pedagógica que fomente a efetivação da Lei nº 10.639/2003. Essa pesquisa encontra base nos estudos de Cunha Junior (2001; 2021), sendo o referencial teórico, metodológico e epistemológico do caminho deste artigo. Como resultados iniciais, é notória a relação da prática cultural analisada e os valores civilizatórios afrodescendentes, tais como ancestralidade, corporeidade, oralidade, musicalidade, ludicidade, circularidade, comunidade, memórias e axé, com o campo da educação. Sendo assim, é possível concluir que a Capoeira no Ceará, porta africanidades expressas por elementos afrodescendentes, pois reúne aspectos afrorreferenciados para implementação da Lei nº 10.639/2003, colaborando, assim, para a formação da identidade da população negra vinculadas à prática da Capoeira nas escolas.
Resumo Simples
Abrir o trabalhoA arte como instrumento para a afirmação das identidades étnicas na escola
OTILIA APARECIDA SILVA SOUZA
Este trabalho se propõe a refletir sobre as diversas possibilidades de introduzir nos projetos político-pedagógicos da educação básica elementos que possam despertar no aluno o interesse pelo conhecimento das suas origens étnico-culturais utilizando a arte como um recurso didático. Para isso, parto de alguns questionamentos que devem servir de base para o desenvolvimento das propostas norteadoras destas reflexões: como inserir essas questões no dia a dia da escola? Como identificar as influências africanas no cotidiano dos estudantes? De que forma a arte pode ser utilizada para a afirmação das identidades étnicas? Assim, o conteúdo programático deve ser elaborado a partir de conteúdos que favoreçam a reflexão do aluno sobre a sua inserção no mundo, sobre o modo como os seus antepassados faziam para se relacionar com os seus pares, como trabalhavam, como rezavam e se divertiam. Nesse sentido, a arte pode servir como ferramenta para aproximar o aluno de um universo cultural riquíssimo, oferecendo a oportunidade de conhecer diversas referências estéticas e, ao mesmo tempo, incentivar o seu potencial criativo. O uso da arte pode fazer surgir em toda a comunidade escolar um modo diferenciado de ver e sentir o mundo pois através da sistematização de saberes e de cosmovisões diferentes, o corpo docente estará recusando as práticas preconceituosas e abrindo as suas portas para uma realidade repleta de significados importantes para os diferentes grupos étnicos. A ideia é utilizar as diversas linguagens artísticas (música, artes plásticas, dança, etc), como suporte didático para introduzir conteúdos referentes à cultura africana e afro-brasileira e assim despertar nos estudantes o sentimento de pertença, fundamental para a afirmação das identidades étnicas.
Oral
Abrir o trabalhoCHINUA ACHEBE: A ESCRITA ANTI-COLONIAL PASSA PELA TRANSVERSALIDADE DA MEMÓRIA E DA HISTÓRIA?
EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E PRÁTICAS TRANSGRESSORAS: DIÁLOGOS SOBRE NEGRITUDES
LUCIANA NUNES DE SOUSA; Maria Izabel da Silva Costa; Lis Maria Machado Ribeiro Bezerra
O racismo é considerado uma das formas de preconceito que mais afetou/afeta nossa sociedade, sendo muitas vezes naturalizados ou coisificados, dessa forma necessitando de estratégias de ensino que olhe para esses marcadores sociais com mais criticidade e reflexões. O estudo objetiva relatar as experiências de uma professora sobre práticas pedagógicas transgressoras na formação inicial em Educação Física (EF) a partir do círculo cultural e produção de charges. Trata-se de um relato de experiências de práticas pedagógicas desenvolvidas por uma docente durante a disciplina de Metodologia do Ensino do Voleibol, referente ao semestre de 2023.1, do curso de EF da Universidade Regional do Cariri. Através de uma metodologia progressista, foi realizado um estudo do capítulo de livro "NEGRAS HISTÓRIAS QUE NÃO SE CONTAM": aproximações problematizadoras sobre negritude na Educação Física Escolar. Foi sugerido como estratégia pedagógica de ensino a produção de charges ou caricaturas baseadas no que foi compreendido do estudo do capítulo, seguido de uma roda de conversa a qual foi tematizado negritude e racismo no ambiente educacional e esportivo, a partir do sentido e significado da produção artística. Nesse sentido, muitas das charges problematizaram a questão da negritude dentro das práticas esportivas, preconceitos, racismos e discriminação. Por meio do círculo cultural apontaram a necessidade de pensar uma sociedade decolonizada, inclusiva, equânime, pautada na justiça social e valorização humana. Conclui-se que a metodologia de ensino utilizada pela professora possibilitou um trabalho com as práticas corporais em uma perspectiva reflexiva, demonstrando importância significativa de fomentar uma prática político-pedagógica que permita aos(às) discentes serem cada vez mais protagonistas e autônomos(as) do processo, organizando as aulas de forma conjunta com a docente e debatendo sobre os marcadores socioculturais que atravessam as práticas corporais.
Oral
Abrir o trabalhoPEDAGOGIA DO ESPORTE E NEGRITUDES: PENSANDO A PRÁTICA NA FORMAÇÃO INICIAL
MARIA IZABEL DA SILVA COSTA; Luciana Nunes de Sousa; Lis Maria Machado Ribeiro Bezerra
O racismo é um problema estrutural da sociedade brasileira estando presente em todas as esferas sociais. O esporte enquanto manifestação cultural e social tem sido espaço de resistência ao preconceito racial, seja em espaço educacional formal e não formal. Objetivamos com o estudo relatar experiências vivenciadas por discentes do curso de Educação Física sobre práticas esportivas e negritudes em ambiente escolar. Trata-se de um relato de experiências desenvolvido por acadêmicos(as) do 4° semestre do curso de Educação Física da Universidade Regional do Cariri-URCA, do semestre de 2022.2, durante a disciplina de Metodologia do ensino do Voleibol. A proposta metodológica foi apresentada pela docente em colaboração com os(as) estudantes, o texto usado como base foi um capitulo de um livro: "NEGRAS HISTÓRIAS QUE NÃO SE CONTAM": aproximações problematizadoras sobre negritude na Educação Física Escolar. A estratégia metodológica usada para o debate foi o Júri Simulado, composto por um grupo que defendia a discussão desse marcador social e esportes na educação básica e o outro defendia este tema na formação inicial. Ao final realizou-se uma roda de conversa, está contou com a participação de integrantes do GRUNEC (Grupo de Valorização Negra do Cariri), as quais compartilharam um pouco de suas histórias de lutas no estado do Ceará, dentro da cidade de Crato e na URCA, como também fomentaram discussões sobre o ser negro em espaços que permeiam a cultura corporal, formação identitária por meio dos conteúdos como a prática da capoeira e dentre outras manifestações corporais, além da busca por uma sociedade descolonizadora e de consciência democrática. Conclui-se que as estratégias pedagógicas usadas pela professora, possibilitou os(as) discentes serem mais protagonistas do processo, na busca por uma educação democrática e ante hegemônica, vislumbrando lutas por igualdade e justiça social.
Oral
Abrir o trabalhoA escola em tempo integral e o patriarcado: as dificuldades das adolescentes mulheres para concluírem o Ensino Médio.
AMANDA MONIQUE FERNANDES SIQUEIRA
Meninas têm dificuldades de se manter na escola. Estamos falando de meninas pobres, entre 13 e 18 anos, matriculadas no ensino médio integral, que são incumbidas de responsabilidades que as impedem de frequentar à escola, e concluírem seus estudos. Esta discussão nos atenta à falta de acompanhamento pedagógico, psicológico, políticas públicas de incentivo às famílias de baixa renda e falta de estrutura nas instituições para atraírem e manterem essas meninas dentro das escolas. Não é a integralização das escolas que manterá essas meninas estudando. É um conjunto de ações desenvolvidas pelo Estado que resultará numa mudança positiva. Viver numa sociedade guiada pelo patriarcado promove inúmeros problemas às mulheres, ainda que sejam adolescentes. Muitas das minhas alunas são filhas de mulheres que exercem a maternidade autônoma e necessitam trabalhar fora de casa para se manterem. Outras frequentam a escola por conta das refeições que não têm em casa. Algumas vão à escola para fugirem de agressões e abusos sofridos em casa. Outras permanecem porque na escola elas têm alguém para ouvi-las. Enfim, as interseccionalides que atravessam a vida estudantil de meninas adolescentes acabam adiando ou interrompendo o futuro acadêmico de várias delas. Através do Projeto Diretor de Turma, rodas de conversa e palestras promovidas em parceria com grupos e instituições que lutam em defesa da mulher, estamos identificando esses problemas e encaminhando-os para entidades na busca de ajuda e solução. E acompanhamos diariamente para que elas consigam frequentar à escola, desenvolverem suas habilidades e construírem seus horizontes de expectativas partindo da educação. Estamos reestruturando as prioridades na nossa escola para que as mulheres encontrem neste ambiente um lugar que seja apoio, incentivo e segurança para o seu hoje e principalmente, o seu amanhã.
Palavras-chave: escola,patriarcado,mulheres,dificuldades
Oral
Abrir o trabalhoA ESCOLA VAI À COMUNIDADE QUILOMBOLA: UMA EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA DESENVOLVIDA PELO PIBID MULTIDISCIPLINAR/UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI.
ANTÔNIA LUCIVANIA DA SILVA
Este trabalho se propõe a refletir e apresentar uma experiência no trabalho com a lei 10.639/2003 e a lei 11.645/2008 realizada por meio do PIBID Multidisciplinar (História e Sociologia) no ano de 2019, com uma turma de terceiro ano do ensino médio da Escola José Alves de Figueiredo situada na cidade de Crato-CE. Tendo o projeto como um dos eixos norteadores, Raça, e buscando atrelar a proposta do PIBID com o projeto afro-indígena que vem sendo desenvolvido pela escola desde o ano de 2011, embasado nas leis anteriormente mencionadas, buscamos concretizar uma proposta de atividade que já vínhamos pretendo realizar e que até então não tínhamos concretizado por falta de maior conhecimento teórico sobre o assunto e falta de contato com pessoas que pudessem proporcionar o intermédio com as comunidades quilombolas. Tendo a escola sido contemplada com o PIBID multidisciplinar buscamos trabalhar o tema quilombos e comunidades quilombolas buscando abordar numa perspectiva histórica e sociológica as questões que dizem respeito à história do povo negro, o conceito raça, a historicidade dos quilombos, a identidade dos povos quilombolas, suas lutas, suas conquistas e desafios no tempo presente. Trabalhamos os aspectos teóricos intercalando com uma visita à comunidade quilombola Carcará, situada na zona rural da Cidade de Potengi-CE, oportunidade na qual os estudantes e bolsistas puderam conhecer a comunidade e ouvir a história a partir da narrativa dos próprios quilombolas acerca de suas lutas, seus modos de vida e do reconhecimento como comunidade quilombola. Portanto, apresentaremos os resultados, elucidaremos detalhadamente essa vivência e a continuidade do trabalho em sala da aula, tendo em vista que a experiência não se reduziu à visita de campo.
Oral
Abrir o trabalhoA relevância dos livros didáticos no ensino de História: uma análise das materialidade externas e internas de LDS da coleção História Sociedade e Cidadania do Alfredo Boulos Júnior
VITÓRIA D'AVILA SERAFIM DE BARROS ; Iara Santos Vieira; Orientador: Prof.dr. Edson Borges
Os livros didáticos (LDs) são ferramentas fundamentais no processo de ensino-aprendizagem, principalmente no que tange à realidade de escolas públicas brasileiras, sendo muitas vezes o principal ou único material acessível para os alunos no cotidiano escolar. Os debates que cercam a constituição, distribuição dos LDs no novo ensino médio perpassam e refletem os aspectos sociais presentes na atualidade e impactam diretamente a formação dos LDs ou a substituição destes materiais por ebooks ou cartilhas digitais. Com isso, os LDs, para além de material didático, são uma conquista histórica da luta de professores, bem como um documento histórico. Assim sendo, para refletirmos sobre o ensino de História, consideramos crucial a análise das materialidades externas e internas do LD. O objetivo deste trabalho é analisar o livro didático do 6° e 7° ano do fundamental II da coleção História Sociedade e Cidadania, 4ª edição, do ano de 2018, do Alfredo Boulos Júnior. Trazendo apontamentos metodológicos, analisando desde dos elementos textuais e históricos de concepção deste LD, damos enfoque, principalmente, no capítulo 10 do LD do sétimo ano, intitulado “Africanos no Brasil”, destinado a questões como o tráfico atlântico, ao trabalho a que eram destinados e as formas de resistência praticadas, como a capoeira, congado e a formação de irmandades.
Palavras-chave: Ensino de História, Livros didáticos
Resumo Simples
Abrir o trabalhoCEARÁ INDÍGENA E NEGRO NAS PUBLICAÇÕES DO IMOPEC (1988-2015)
JOSE ITALO DOS SANTOS NASCIMENTO; Leidiane Francelina Batista; João Damasceno; Cícero Joaquim dos Santos
Esta pesquisa é fruto do projeto de iniciação científica Ceará Indígena, Negro e Quilombola: Memória e Movimento Social nas Publicações do IMOPEC (1988-2015) coordenado pelo professor Joaquim dos Santos. O Instituto da Memória do Povo Cearense (IMOPEC) foi fundado em 1988, na cidade de Fortaleza-CE. Desde então, o Instituto começou a produzir materiais sobre a memória e a História do Ceará, bem como sobre as demandas da população cearense. Para divulgar suas produções, ações educativas e pesquisas acadêmicas, o IMOPEC criou o Boletim Raízes e a Revista Propostas Alternativas. Estes foram os principais instrumentos de propagação das críticas e propostas do IMOPEC. Além disso, tais publicações se tornaram o material educativo usado na formação de grupos e líderes comunitários das diversas regiões do Ceará, mediante a criação do Curso de Formação à Distância Memória e Patrimônio Cultural do Ceará, criado em 2001 e que se estendeu até 2015. Neste resumo, a pesquisa faz um recorte para a participação dos povos indígenas dentro dos movimentos sociais sob a ótica da Nova História indígena, perspectiva que localiza o protagonismo e participação ativa dos povos indígenas dentro da História. Para isso, a pesquisa analisar as publicações do IMOPEC com foco de no Boletim Raízes e suas edições que tiveram ênfase na articulação indígena, ação que envolveu historiadores e antropólogos. Como resultados iniciais, o estudo indica como as lutas dos povos indígenas e da população negra no Ceará, fizeram parte de processos históricos que se aproximam nas publicações do IMOPEC. O Instituto acompanhou e publicizou muitas reivindicações destas populações, bem como atuou como sujeito ativo nos processos de reconhecimento e nas lutas por direitos.
Palavras-chave: IOMPEC, Nova História Indígena,Protagonismo,Movimentos Sociais.
Resumo Simples
Abrir o trabalhoCEARÁ QUILOMBOLA: MEMÓRIA E MOVIMENTO SOCIAL NAS PUBLICAÇÕES DO IMOPEC (1988-2015)
JOÃO VICTOR SOARES DAMASCENO; Leidiane Francelina Batista; José Ítalo dos Santos Nascimento; Cícero Joaquim dos Santos
CEARÁ QUILOMBOLA: MEMÓRIA E MOVIMENTO SOCIAL NAS PUBLICAÇÕES DO IMOPEC (1988-2015) Este projeto de pesquisa pretende compreender as representações históricas referentes a população quilombola do Ceará mediante a análise das publicações do Instituto da Memória do Povo Cearense (IMOPEC), no período circunscrito entre 1988 e 2015. Sediada em Fortaleza-CE, o IMOPEC atuou por 27 anos no Ceará, produzindo materiais e publicando pesquisas sobre os cearenses. A partir da História Cultural, a pesquisa dialoga com os conceitos memória e representação. Como fontes, o estudo analisa os periódicos publicizados pelo IMOPEC, como o Boletim Raízes e a Revista Propostas Alternativas. Na pesquisa, buscamos compreender as narrativas de valorização da História e cultura das comunidades negras cearenses e seus processos de reconhecimento como comunidades quilombolas, experiências registradas e analisadas nas publicações do IMOPEC. Esta pesquisa está em andamento, e conta com o apoio do Programa Institucional de Iniciação Científica PIBIC-URCA. Como resultados parciais, o estudo indica diferentes processos de reconhecimento quilombolas, em espacialidades distintas. As fontes problematizam os discursos de negação e silenciamento da presença negra no Ceará, ao passo em que assumem uma postura crítica perante a necessidade de reconhecimento oficial dos quilombos no Ceará. Com a mesma relevância, muitos bens culturais das comunidades quilombolas foram registrados e difundidos, como práticas culturais e religiosas. Além disso, as publicações apresentam demandas e cobranças sociais dos quilombos cearenses.
Resumo Simples
Abrir o trabalhoEDUCAERÊ E AS CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS PRETAS COMO POSSIBILIDADE DE ENFRENTAMENTO AO RACISMO NA INFÂNCIA
ALAN CORDEIRO DA SILVA; Cicera Nunes
Esse trabalho propõe uma reflexão sobre a contação de histórias pretas enquanto uma possibilidade de enfrentamento ao racismo na infância a partir de uma literatura preta infantil que vai além dos padrões eurocêntricos usualmente trabalhados na educação infantil que pouco, ou nada, contempla a realidade de crianças negras. Uma literatura infantil constituída de elementos africanos e afro-brasileiros, que coloca as pessoas negras enquanto protagonistas, contribui de forma significativa para o reconhecimento positivo do grupo étnico-racial que essas crianças são descendentes, assim como para uma construção identitária positiva, tenho percebido isso enquanto contador de histórias do projeto EduCaErê, ao qual idealizei, e que a partir das experiências educativas com crianças aponta a necessidade da educação infantil ser compreendida verdadeiramente enquanto espaço importante para a educação das relações étnico raciais e de comprimento da lei nº. 10.639/03. Autoras que fundamentam a discussão a exemplo da Eliane Cavalheiro (2000), Débora Araújo (2018), Eliane Debus (2017), Azoilda Trindade (2006) serão importantes para reflexão ao qual proponho, enfatizando a necessidade das crianças negras acessarem ainda na primeira infância o conhecimento sobre o patrimônio cultural ancestral negro.
Palavras-chave: Contação de histórias pretas,Literatura Infantil Preta,EduCaErê,Educação Infantil,Infâncias
Oral
Abrir o trabalhoEscola como espaço de poder e docilização de corpos: revisão narrativa sobre os processos de inclusão/exclusão de pessoas transexuais e travestis no ambiente escolar.
ERINALDO GUALBERTO DA SILVA
A escola exerce um papel fundamental no processo de construção e constituição dos sujeitos. É nela que os indivíduos aprendem e se desenvolvem – apesar desse processo iniciar-se em casa, é na escola que ganha contornos novos e importantes. É marcado fortemente pela construção de um lugar de poder, constituído a partir das relações e conteúdos simbólicos acumulados que enquanto instrumentos estruturados e estruturantes de um padrão cumpre um papel político de imposição de uma ideologia que serve para assegurar a dominação de um grupo sobre outro. Nesse contexto, é preciso indagar quais os sujeitos e/ou corpos são reconhecidos e/ou ainda valorizados no espaço escolar? De que forma os corpos Negros e Transexuais são ou não reconhecidos, legitimados e possíveis de existir? A partir da diversidade de histórias e de sujeitos que adentram e ocupam este espaço, a escola é promotora do diálogo dessa multiplicidade, ou se coloca como um lugar de normatização e reprodução de um modelo de poder hegemônico que limita (ou tenta) as formas de ser e viver no mundo? Este trabalho tem como objetivo perceber as formas como travestis e transexuais são tratados nas escolas, e lançar luz sobre estas e outras questões, com vistas a problematizar, e levantar o debate acerca da presença de corpos transexuais e travestis negros dentro do ambiente escolar. Utilizamos a revisão de literatura narrativa, afim de entender os processos de inclusão/exclusão vivenciados por pessoas trans, nos espaços escolares.
Oral
Abrir o trabalhoGRUNEC – GRUPO DE VALORIZAÇÃO NEGRA DO CARIRI E SUA TRAJETÓRIA INDISPENSÁVEL NA LUTA ANTIRRACISTA
CHARLIE RENATTI DA SILVA
O Movimento Negro no Ceará surge a partir do século XX, e sempre foi fundamental na busca por efetivação de políticas públicas. Visualizando a importância na construção de uma sociedade que incluísse a população Negra e Quilombola, o GRUNEC (grupo de valorização negra do cariri) tem contribuído ativamente para o resgate e inclusão da valorização Negra, no Cariri e Região, há mais de vinte anos. Este trabalho procura descrever, através dos registros/documentos coletados na sede do GRUNEC (crato-ce), a trajetória do grupo, que é indispensável na luta antirracista. Observando os registros, percebe-se o comprometimento e forte atuação que o grupo mantém desde a sua primeira reunião e fundação (realizada dia vinte e um, do mês de abril, do ano de dois mil e um), como a busca ativa para a efetivação da lei n° 16.197/1 que dispõe sobre a instituição de cotas, na universidade regional do cariri, assim como o projeto de lei 10.639.2003/cne que estabelece a obrigatoriedade do ensino da disciplina de história e cultura afro-brasileira nas escolas. O projeto faz parte do programa de extensão da Universidade Regional do Cariri e traz essas propostas, como promover engajamento, aplicar conhecimento, fortalecer a formação dos estudantes e contribuir para o desenvolvimento local.
Resumo Simples
Abrir o trabalhoIDENTIDADE DA CULTURA NEGRA NA PERSPECTIVA DA LITERATURA INFANTIL.
SARA COSMO DA SILVA; ROSIELE APOLINARIO DA SILVA; DAVI MOTTA BEZERRA
A presente produção constitui-se em trabalho feito por meio de pesquisas bibliográficas, cujo a reflexão centra se no debate sobre a identidade cultural negra na perspectiva da literatura infantil, sendo um tema bastante relevante a ser trabalhado e tratado com seriedade dentro da sala de aula. O Objetivo geral deste trabalho é trazer a importância de se trabalhar a literatura infantil negra dentro do espaço escolar e assim promover uma construção da identidade negra, fazendo com que as crianças conheçam as suas raízes de pertencimento, e assim possam valorizar a sua cultura por meio da relação de autoconhecimento. Nesse Contexto colocamos a literatura infantil como uma prática pedagógica mediadora para que a criança valorize a sua identidade cultural, onde as histórias contadas precisam contemplar a todos os tipos de diversidades raciais, para que a criança se veja como um protagonista, colocando como destaque produções literárias que valorizem o negro, e não coloque apenas com um personagem coadjuvante, que só aparece com alguma deficiência, desvalorizados, ou como empregados de cargos baixos. Com isso salientamos que a literatura infantil é capaz de proporcionar ludicidade, conhecimento, trocas culturais, reflexões, construção identitária, assim como também podendo causar espanto, desinteresse se não trabalhado corretamente pelo professor.
Palavras-chave: Cultura;Criança;Identidade;Literatura ; Negra
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Abrir o trabalhoInstalações Pedagógicas: uma experiência artística através do reisado na E.C.M. de Ensino Fundamental Dr. Edvard Teixeira Férrer em Juazeiro do Norte – CE.
CARLOS JEFFERSON GOMES DA SILVA; Claudiana Sales Pinto; Maria Clarice da Silva
Este trabalho tem como finalidade discutir a metodologia das Instalações Pedagógicas - IP com os estudantes do 8º ano da Escola Cívico Militar de Ensino Fundamental Dr. Edvard Teixeira Férrer em Juazeiro do Norte, localizado no sul do estado do Ceará. O nosso propósito foi promover uma ação pedagógica através da aplicabilidade das IP na disciplina de Estudos Regionais relacionado aos mestres do reisado situados na região do Cariri cearense. Consideramos algumas questões norteadoras: Como as IP podem contribuir nas aprendizagens dos estudantes? Qual a importância de trabalhar o reisado na disciplina de Estudos Regionais? Refletir sobre essas questões torna-se necessário para que os educadores possam ter entendimento sobre as práticas pedagógicas em sala de aula e buscar metodologias que atendam a referida temática. Nesse contexto, o desenvolvimento das IP na escola tratou de contribuir para o reconhecimento da cultura do reisado através da materialização dos conteúdos por meio de símbolos e signos que estão presentes no cotidiano dos alunos. Para o desenvolvimento dessa pesquisa foi utilizada a abordagem da pesquisa qualitativa e utilizamos a pesquisa-ação para possibilitar novos caminhos a qual envolve os sujeitos da pesquisa. Os levantamentos bibliográficos foram: Alves (2018); Freire (2014); Pradanov (2013); Ribeiro (2014) e outros. O Percurso metodológico foi: (a) Apresentação da metodologia; (b) Delimitação da temática; (c) Momento da pesquisa e criação de texto; (d) Teias de ideias (e) Exposição/Montagem e (f) Diagnóstico/Desmonte e recriação de um novo texto. Trabalhar com essa metodologia na disciplina, proporcionou aos sujeitos a compreenderem a temática do reisado de forma significativa. Portanto, ajudaram no entendimento dos mestres do reisado existentes na região do Cariri, os significados culturais dos personagens e também os elementos presentes durante as manifestações culturais. Além disso, são percursos que permitem dinamizar as práticas de ensino.
Palavras-chave: Instalações Pedagógicas.,Reisado,Ensino,Estudos Regionais.
Oral
Abrir o trabalhoO CEARÁ NEGRO NAS NARRATIVAS DO IMOPEC (1988-2015)
LEIDIANE FRANCELINA BATISTA; José Ítalo dos Santos Nascimento; João Victor Soares Damasceno; Cícero Joaquim dos Santos
Este projeto de pesquisa pretende compreender as representações históricas referentes a população negra e do Ceará a partir da análise das publicações do Instituto da Memória do Povo Cearense (IMOPEC), no período circunscrito entre 1988 e 2015. A partir da História Cultural, a pesquisa dialoga com os conceitos memória e representação. Como fontes, o estudo analisa os periódicos publicizados pelo IMOPEC, a saber: o Boletim Raízes e a Revista Propostas Alternativas. Em várias edições, os negros e as negras cearenses foram objetos de reflexões, apresentando suas trajetórias de lutas e demandas sociais nos processos de afirmação étnica, bem como seu cotidiano e práticas culturais, entre outras questões. Nesse sentido, os conceitos afrodescendência e africanidades são importantes para compreendermos como o IMOPEC construiu e difundiu saberes sobre os negros e as negras do Ceará desde os fins da década de 1980 até o ano 2015, o último número do Boletim Raízes. Este foi dedicado à memória das ações do instituto. Almejando analisar as representações históricas sobre a população negra difundidas pelo IMOPEC, a pesquisa fez uma catalogação do boletim Raízes, identificando, inicialmente, em quais números a temática negra apareceria, bem como quais representações eram publicizadas. Como resultados parciais, o estudo indica as publicações dos anos de 1993, em seu 6° número, o qual dedica-se especificamente à questão negra. Essa temática foi retomada em 1995 (n° 13 e 15), 1997 (n°20 e 22), em 1998 (n°25) e no ano de 2002 com o número 39. Através deles, é possível analisar como eram as lutas de representações das populações negras apresentadas, bem como seus enfrentamentos perante as desigualdades sociais e lutas por direitos.
Palavras-chave: IMOPEC,MOVIMENTO NEGRO,AFRICANIDADES,REPRESENTAÇÃO
Resumo Simples
Abrir o trabalhoO Ensino de Sociologia e a Lei 10639-03 e sua construção histórica no contexto da Escola de Ensino Médio Plácido Aderaldo Castelo em Caririaçu-CE
EDILIO QUINTINO DE OLIVEIRA
O objetivo desta comunicação é um relato de experiência do que foi desenvolvido como proposta didática na disciplina de Sociologia em conjunto com a área de Ciências Humanas para o Dia da Consciência Negra, nesse sentido é importante deixar registrado como a temática da questão racial se insere no proposta pedagógica da Escola de Ensino Médio Plácido Aderaldo Castelo pertencente a rede pública estadual de ensino, localizada no município de Caririaçu-CE, na referida escola vêm sendo desenvolvido ações didáticas como a organização de Seminários, atividades em grupos, teatro, debates com os alunos, pesquisa com o público escolar, Cartazes, filmes, na área de Ciências Humanas onde os professores desenvolvem a partir da lei 10639/03 suas proposições didáticas no currículo escolar com a temática relativa a questão racial e como ao longo dos anos 2011, 2012, 2013 e 2014 essas ações foram realizadas junto aos alunos pensando as práticas didáticas e a relação com a pesquisa científica, desencadeando um processo onde algumas das atividades foram apresentadas na Semana de Iniciação Científica da Universidade Regional do Cariri no Ano de 2014. Dessa forma contribuindo com o desenvolvimento da pesquisa a partir de um Tema que se insere na educação básica e seus desafios em um país onde a questão racial precisa ser pensada a partir da construção histórico social. Observa-se posto isso uma preocupação com a consolidação de uma Temática que foi negligenciada pelo currículo escolar e as políticas públicas educacionais, sendo preciso que a Lei possa reparar a dívida histórica com a população negra e os povos originários no Brasil.
Palavras-chave: Ciências Humanas e Sociais,LEI 10.639/03,Questão Racial,Ensino de Sociologia
Oral
Abrir o trabalhoO LETRAMENTO RACIAL COMO FERRAMENTA ANTIRRACISTA NO ENSINO DE HISTÓRIA NAS ESCOLAS DO MUNICÍPIO DE MAURITI-CE
GECYANY SEVERO DA SILVA; Maria Edina Marques Ferreira
Este trabalho tem como objetivo compreender as problematizações sobre as discussões raciais no processo de ensino a partir do letramento racial como ferramenta metodológica para a promoção de uma sociedade sem racismo, a partir da Lei 10.639/2003 no ambiente escolar, tomando como reflexão as experiências de professores de história da rede de educação básica do município de Mauriti-CE. As narrativas constroem as estruturas de pensamento das sociedades que por sua vez carregam as malhas do racismo e da colonialidade, e que são definidas como estruturas de dominação e exploração. O racismo aprisiona pessoas negras em sistemas de discriminação, muitas vezes demarcado pela tez da pele, tipo de cabelo, cultura, religiões e outros marcadores, “um comportamento, uma ação resultante da aversão, por vezes, do ódio” (GOMES, 2005, p.52). Assim, o letramento racial na educação tem como objetivo desconstruir e combater o racismo, questionando e modificando padrões de pensamento e comportamento normalizados. Nesse contexto, o ensino de história, pautado na perspectiva antirracista, se baseia no letramento racial como ferramenta pensada a partir da lei 10.639/03. Sendo um pilar para o fortalecimento de perspectivas decoloniais proposto por QUIJANO (2009), onde expõe a necessidade de escrever e produzir a partir das epistemologias do sul, ou seja, das sociedades que foram hierarquizadas e vilipendiadas ao longo do processo de colonização.
Oral
Abrir o trabalhoO PROJETO ÁFRICA NA UNILAB-ANU DO PET DE HUMANIDADES E LETRAS COMO MECANISMO DE COMBATE AO RACISMO.
VITÓRIA D'AVILA SERAFIM DE BARROS ; Luís Brion; Analtina Antonio Cussitala; Orientadora: Profa.Dr. Antônia Suele de Souza Alves Pereira
Após vinte anos da implementação da lei 10.639/23 que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiro e treze anos da criação da UNILAB que visa a integração cultural, etnico-racial de estudantes e professores oriundos dos países africanos de língua oficial portuguesa e brasileiros, percebemos que o racismo ainda é um problema social, que impacta a vida destes estudantes e de milhares de pessoas diariamente. Manifesta-se de maneiras estruturais, institucionais e individuais, que possui raízes históricas na colonização e escravização de povos africanos sequestrados do continente para serem explorados no Brasil. O presente resumo busca apresentar uma pesquisa em desenvolvimento que tem por objetivo avaliar o papel do projeto África na UNILAB do Programa de Educação Tutorial de Humanidades e Letras na difusão da história e cultura afro-brasileira nas escolas como forma de combate ao racismo sofridos pelos estudantes africanos, tanto no seio universitário como na região de Maçiço de Baturité. Por meio da construção de uma didática com História e cultura dos países africanos que integram a UNILAB, ministrando oficinas, palestras e rodas de conversas com alunos da rede pública. Com isso, vimos a necessidade de proceder com essa pesquisa como forma de identificar a importância e eficiência das ações já realizadas no sentido de sensibilizar a sociedade acadêmica e a população da região no sentido de “reconhecer, respeitar as diversidades etnico-racial, religiosa, cultural, de gênero, entre outras.” (Unilab, 2010, p.13 apud Lima et al., p.30), são objetivos basilares da criação da UNILAB. Para o desenvolvimento do estudo, realizaremos um levantamento quantitativo e qualitativo a partir de questionários avaliativos respondidos pelo público alvo de cada atividade realizada. Espera-se que esta pesquisa corrobore com o aprimoramento do projeto, bem como para difusão de uma educação comprometida com a justiça social e o letramento racial.
Palavras-chave: Lei 10.639/23, África na UNILAB, Ensino
Resumo Simples
Abrir o trabalhoORALIDADE COMO PROVOCAÇÃO DA FICCIONALIDADE NA IMAGEM
GEIZA MARIA DIAS DE OLIVEIRA
A oralidade pretende através da descrição provocar em quem vai escutar/ouvir a entrar em um contato cinestésico com a produção da imagem. Onde a pessoa poderá sentir cheiros, gostos, memórias, escutar sons, sentir texturas, experimentar a imagem para além do que se vê, ou seja, se pode sentir a imagem sendo construída em si. Logo, toda essa construção da imagem a partir da oralidade é uma ficcionalidade, mas uma ficção provocada pela escrevivência intencionada pela Conceição Evaristo, onde as suas experiências vividas provocam você para que construam outras imagens diversas do cotidiano, dessa maneiras elas não são irreais ou mentirosas, elas são ficcionais porque a medida que você vai descrevendo você vai se permitindo sentir essas imagens, vai se relacionando com as texturas, com os objetos e/ou com as pessoas que estão descritas na cena. Portanto, este artigo pretende entender os meios pelo qual pode-se compreender a oralidade dentro da construção da ficcionalidade e para isso, torna-se necessário dialogar sobre a construção imagética a partir da oralidade, tendo em vista que as nossas formas de comunicação nos fazem constantemente construir imagens que muitas vezes perpassa pela ficcionalidade, mas por hora são construídas a partir do cotidiano. Ou seja, será preciso perceber como os elementos podem tornar-se sujeitos à ficcionalização de vários pontos de vista diferentes que emergem do contato das pessoas com a imagem.
Resumo Simples
Abrir o trabalhoORALIDADE E MEMÓRIA ANCESTRAL NEGRA COMO PEDAGOGIAS DE TERREIRO PARA LETRAMENTO RACIAL
SANDRO ALVES DE MOURA
A temática deste presente artigo é Oralidade e Memória Ancestral Negra: Pedagogias de Terreiros e Letramento Racial. O problema investigado circunda em torno do seguinte questionamento: "Quais são os desafios para validação da oralidade e memória ancestral negra presente nos Terreiros de Candomblé como ferramenta pedagógica para o letramento racial?". A hipótese levantada é a de que Os métodos cartesianos europeus não conseguem fundamentar essa discussão, mas se coloca como um entrave provocando epistemcídios da intelectualidade negra, silenciando, assim, as vozes dos nossos antepassados. O objetivo geral é investigar e a oralidade e memória ancestral negra presente nos Terreiro de Candomblé e suas contribuições, enquanto ferramentas pedagógicas, para o letramento racial. Especificamente, seus objetivos são: discorrer sobre as pedagogias de Terreiro; analisar a oralidade e memória no candomblé; abordar, analogicamente, o contexto afrocêntrico e a materialização do sagrado nas religiões de matriz africana. Este trabalho configura-se como uma discussão necessária e inegociável diante do contexto de negação das nossas identidades, principalmente, a do povo negro. Diante disso, tomo como referencial teórico-metodológico a pretagogia – que se assenta nos valores da cosmovisão africana.
Oral
Abrir o trabalhoPERCURSOS FORMATIVOS, ENSINO DE HISTÓRIA E A CONSTRUÇÃO DE UMA CONSCIÊNCIA HISTÓRICA ANTIRRACISTA
JOSÉ CLÁUDIO LEÔNCIO GONÇALVES; ANTÔNIO JUSCELINO BARBOSA DOS SANTOS; CÍCERO JOAQUIM DOS SANTOS
O presente trabalho possui como tema percursos formativos e sua relação com a história e cultura africana e afro-brasileira. O principal objetivo é refletir a nossa a trajetória acadêmica e profissional na construção de uma consciência histórica sobre a história e cultura africana e afro-brasileira, a partir do lugar enquanto professores de História. Para isso, são rememoradas vivências e práticas desde formações no curso de Licenciatura Plena em História; experiências em cursos de pós-graduações de especialização e mestrado; e, não menos importante, a atuação prática, enquanto professores/as no ensino fundamental II e no ensino médio. Experiências estas realizadas entre 2006 à atualidade, período em que a Lei 10.639/2003, que estabelece a obrigatoriedade de referida temática de ensino já era/é uma realidade. Neste sentido, problematiza-se as seguintes questões: como a legislação refletiu/reflete na formação de professores/as de História? A universidade ressignificou nossa formação profissional para demandas antirracistas? Foram problematizadas visões historicamente hegemônica, unilateral, estereotipada e eurocêntrica? Até que ponto a nossa formação e atuação profissional é crítica, antirracista, plural e de promoção da cultura de paz? De que forma a história e cultura africana e afro-brasileira foi/é abordada na escola? O que implica um ensino de História antirracista a ser vivenciada na escola? Em que medida a escola e ensino de História estão preparados para se trabalhar uma educação antirracista?
Palavras-chave: Percursos Formativos,Ensino de História,História e Cultura Africana e Afro-brasileira,Educação Antirracista
Oral
Abrir o trabalhoREISADO NA EDUCAÇÃO FISICA ESCOLAR: NARRANDO AS RELAÇÕES COM OS SABERES AFROBRASILEIROS NUM CAMPUS DO INSTITUTO FEDERAL DO CEARÁ.
PAULO TIAGO OLIVEIRA ALVES; CICERA NUNES; PEDRO GABRIEL VIANA DO AMARAL; SIMONE SILVA RODRIGUES
O artigo narra a experiência docente em Educação Física em um dos campi da Rede Federal de Ensino do Ceará, situado nos sertões de canindé, na cidade de Boa Viagem Ceará. O trabalho tem por objetivo descrever o processo de aprender outras formas de construir e valorizar saberes de educação para as relações etnicorraciais. Apresentamos no texto as manifestações oriundas da cultura corporal afro-brasileira cearense, partindo do patrimônio cultural corporal do reisado, dialogando as narrativas (auto) biográficas de um professor-pesquisador com sua práxis na educação física escolar. A experiência pedagógica ocorreu com discentes da turma de segundo ano do curso técnico de rede de computadores do citado campus. A experiência foi dividida em três encontros: 1º – fruição ao assistirem a curta metragem “meninos e reis”, seguido de uma roda de conversa sobre como a cultura corporal se relaciona com os saberes dialogados no contexto apresentado; 2º – Na aula seguinte ocorreram apresentações dos discentes, divididos em equipes, discutindo sobre os pontos levantados no curta metragem, bem como no artigo cientifico postado na plataforma “Google Classroom” e no terceiro encontro, assistimos, debatemos e experenciamos alguns passos do reisado, no fechamento da temática, ainda debatemos sobre como o curta metragem “mestra margarida” reverberou no entendimento dos discentes, onde foi notório, a partir das falas de suas falas no decorrer do processo, a relevância da valorização e reconhecimento das mestras e mestre do reisado, enquanto manifestação da cultura corporal afro-brasileira. Consideramos que a partir do que foi desenvolvido, a relevância da tese de que é possível desenvolver uma educação física escolar, pautada numa perspectiva antirracista e que vise ampliar os conhecimentos sobre educação das relações étnico-raciais neste componente curricular.
Palavras-chave: EDUCAÇÃO FISICA ESCOLAR,EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA,ENSINO MEDIO,EDUCAÇÃO DAS RELAÇOES ETNICORRACIAIS
Oral
Abrir o trabalhoREVISTA ÁFRICA NA UNILAB: APLICAÇÃO DAS EPISTEMOLOGIAS DO SUL GLOBAL EM FAVOR DA LEI 10.639/03
JARDEL FELIPE ROCHA; LUIS BRION; FRANKLIN JOSE PAULO
De acordo com a lei 10.639/03, de 9 de janeiro de 2003, o artigo 26-A prevê “nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, o ensino obrigatório sobre História e Cultura Afro-Brasileira”. O Projeto África na UNILAB (ANU), desde 2018, vem realizando ações que contribuem para a implementação dessa lei, bem como para a difusão das teorias e epistemologias do Sul global, que colocam as nações historicamente colonizadas no centro do debate sobre a produção de conhecimento. Não obstante, o produto revista, que fora desenvolvido ao longo do ano de 2021, tem como objetivo apresentar à sociedade alguns fragmentos da multiculturalidade do continente africano, explicitando aspectos socioculturais, políticos, históricos, econômicos, filosóficos etc. das nações que compõem os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), auxiliando na desconstrução dos estereótipos que se tem sobre o continente africano, de modo a contribuir na difusão de informações contextuais sobre a pluralidade africana e, possibilitando aos brasileiros, o reconhecimento de muitas das suas origens históricas e culturais. Dessa maneira, a produção da revista ancora-se a quatro segmentos teóricos: Epistemologias do Sul (DE SOUSA SANTOS, 2008); Descolonização das mentes (GADOTTI; ROMÃO, 2012); África inventada (MUDIMBE, 2010); e Pedagogia decolonial (WALSH; DE OLIVEIRA; CANDAU, 2018). Acreditamos, assim, que a revista África na UNILAB poderá ser importante ferramenta na promoção de outras realidades sobre África, e sob a ótica do Sul global, de forma mais abrangente, bem como no desenvolvimento complementar das práticas pedagógicas do ensino básico, encaixando-se nas exigências da lei 10.639/03.
Oral
Abrir o trabalhoSei o que elas/es fizeram na escola: pretATITUDES e educação antirracista.
FRANCISCO GIVALDO PEREIRA; Cicera Nunes
No presente trabalho propomos uma discussão sobre trajetos, vozes e fazeres docentes para a Educação das Relações Étnico-Raciais - ERER, no Cariri cearense, a partir da perspectiva de práticas antirracistas na escola. Essa discussão apresenta fragmentos de trajetos e vozes que ecoam como pedagogia antirracista no ambiente escolar. Os trânsitos formativos dessas/es quatro professoras/es (duas professoras e dois professores), bem como suas vozes e práticas docentes, reveladas nas escutas de grupos focais, foram reescritas e discutidas/ressignificadas a partir de uma revisão bibliográfica que legitime essas perspectivas pedagógicas antirracistas. Pesquisas e estudos de (NUNES, 2022; PINHEIRO, 2023; CUNHA JÚNIOR, 2010; GOMES; GONÇALVES E SILVA, 2007; 2012; NOGUERA, 2014; HOOKS, 2017; RUFINO, 2017; PEREIRA, 2022). As narrativas e reflexões sustentadas durante o percurso dessa escrita são resultantes de experiências vivenciadas em grupos focais, durante a pesquisa de Francisco Givaldo Pereira, intitulada, PretATITUDES na escola: entre trajetos, vozes e fazeres docentes para a Educação das Relações Étnico-Raciais - ERER, no Cariri cearense. Orientada pela professora Dra. Cicera Nunes, no programa de Mestrado Profissional em Educação – MPEDU - URCA.
Oral
Abrir o trabalhoTRANÇA AFRICANA: PENTEADO DAS MULHERES GUINEENSES
AMINATA NADIA GOMES MANÉ; Luís Carlos Ferreira
O presente trabalho tem como objetivo tratar sobre a trança africana, com intuito de mostrar as mulheres brasileiras do município de Acarape, de como as mulheres africanas cuida dos seus cabelos, uma vez que o município recebe muitas estudantes africanas que estudam na Universidade Integração Internacional Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB), no entanto as maiorias das brasileiras têm preconceito sobre o cabelo africana, somos questionado o tempo como cuidamos do nosso cabelo. Dei uma oficina no intuito de explicar que o cabelo é como adorno básico para construir um corpo bonito.O intuito é mostrar para essas mulheres brasileiras a forma pela qual as mulheres africanas cuidam dos seus cabelos, considerando-se que a maioria das mulheres brasileiras aqui em Acarape ainda desconhecem as tranças africanas e seus cuidados. Vale ressaltar que para mulheres africanas, a cabeça é considerada uma parte do corpo muito importante, pois, elas fazem grandes investimentos nessas tranças para ficar ainda mais bonitas.
Palavras-chave: Tranças Africanas, Penteados Mulheres, Africanas,Guineenses
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoVida morte [re]vida: um estudo das formas de reexistência indígena na obra de Denilson Baniwa
DANY ERIS OLIVEIRA DOS SANTOS
O acervo da brasiliana abrange um conjunto de obras visuais que tematiza o país desde a conquista do território ao século XX. Os registros são de autoria dos colonizadores, sejam europeus ou seus descentes. Desta forma, o acervo apresenta uma memória sobre o passado brasileiro comprometida com a história hegemônica de modo a servir como dispositivo de manutenção da colonialidade. O movimento da Arte Indígena Contemporânea (AIC) emergiu na última década combatendo esta memória eurocêntrica por meio de artistas engajados numa perspectiva decolonial/anticolonial a partir das cosmopercepções nativas. Denilson Baniwa, por exemplo, toma o acervo da brasiliana como matéria prima para produzir um outro sentido para a História. O artista, ocupando a fronteira entre a linguagem indígena e não indígena, reinterpreta a brasiliana sob a estética da reantropofagia da AIC e do que ele próprio nomeia de perspectAtvismo. Neste artigo, pretendo analisar de que maneira a obra de Baniwa constrói, em cima da brasiliana, um quadro de representações que se sobrepõe e se contrapõe à história hegemônica pelo qual se desvela a colonialidade e provoca a noção de reversibilidade para o sentido da narrativa histórica. A obra de Baniwa traz na camada subjacente a colonialidade que produziu o genocídio, o epistemicídio e o memoricídio indígenas; e por cima dela, o artista emprega uma epistemologia de resistência indígena fomentada pelos saberes de fronteiras e pela (in)constância da reexistência ancestral. Observo que neste quiasma articula-se o perspectivismo ameríndio, proposto por Viveiros de Castro, ao pensamento decolonial, de Walter Mignolo e de Catherine Walsh, no que diz respeito à desobediência epistêmica e à inscrição de fissuras no sistema-mundo moderno.
Palavras-chave: Arte Indígena, brasiliana, decolonialidade, perspectivismo ameríndio, narrativa histórica
Resumo Simples
Abrir o trabalho“CADA VIDA IMPORTA”: REFLEXÕES SOBRE O GENOCÍDIO DA JUVENTUDE NEGRA E O RACISMO ESTRUTURAL
MARIA DÁLETE ALVES LIMA
Neste estudo, objetiva-se favorecer ao debate acerca dos dados divulgados pelo Comitê Cearense pela Prevenção de Homicídios na Adolescência (CCPHA) nos relatórios intitulados “Cada Vida Importa”, que problematizam o genocídio da juventude negra no Brasil, bem como discutem o racismo estrutural. Como metodologia, utilizou-se a pesquisa bibliográfica e de caráter exploratório. Os resultados mostram que a juventude negra tem vivenciado cotidianamente as refrações da questão social e do racismo, pois se encontram em estado de vulnerabilidade social. A violência letal atinge drasticamente jovens do sexo masculino, negros, de áreas periféricas e de baixa escolarização. O genocídio da juventude negra tem sido diretamente relacionado ao racismo e poucas são as políticas públicas que levam em consideração à problemática. O estudo também aponta que existe a necessidade de urgente intervenção por meio de políticas públicas capazes de reduzir a desigualdade e exclusão social, ampliando a equidade e inclusão da juventude negra ao acesso a bens e serviços, a direitos sociais, econômicos, culturais, entre outros, reduzindo as sequelas do escravismo criminoso e do racismo. Faz-se essencial discutir o atual genocídio da juventude negra no sentido de dar maior visibilidade à situação de vulnerabilidade a que está submetida a juventude negra e traçar estratégias de resistência. A pesquisa se direciona ao ST 2. Juventudes Negras: experiências da construção do hoje.
Palavras-chave: Cada Vida Importa,Genocídio da Juventude Negra,Racismo estrutural
Oral
Abrir o trabalhoCONTRIBUIÇÕES DO SERVIÇO SOCIAL NO ENFRETAMENTO AO RACISMO JUNTO A ADOLESCENTES E JOVENS EM CUMPRIMENTO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA NO CARIRI CEARENSE
MARIA DÁLETE ALVES LIMA
Este relato de experiência parte de contribuições do Serviço Social no enfretamento ao racismo estrutural na vida de adolescentes e jovens em cumprimento de medida socioeducativa, em meio fechado, no Cariri Cearense. Na atual conjuntura, percebe-se que a maior parte dos jovens atendidos é negra. Tais sujeitos vivenciam múltiplas violações de direitos, baseadas nas relações étnico-raciais, tais como: precárias condições de vida e de trabalho, marginalização, exclusão social, encarceramento em massa, desigualdade de acesso à educação, saúde, lazer, etc. Nesse sentido, os profissionais do Serviço Social precisam se empenhar na defesa intransigente dos direitos humanos e na luta antirracista, uma vez que o projeto profissional ético-político da categoria traz uma direção emancipatória. Defende-se, nesta pesquisa, que o Serviço Social contribui diretamente na luta antirracista por meio de práticas educativas com os jovens e suas famílias. Sendo sua atuação essencial na defesa dos direitos sociais e no combate ao racismo e a toda forma de exploração, dominação e opressão. Há, contudo, necessidade de maior qualificação profissional para atuação nos casos de medidas socioeducativas, no sentido de ampliar a horizontalidade da comunicação, das ações e das intervenções, estimulando o empoderamento e o protagonismo juvenil. A pesquisa, portanto, se direciona ao ST 2. Juventudes Negras: experiências da construção do hoje.
Palavras-chave: Serviço Social,Racismo,Socioeducação,Juventude Negra
Oral
Abrir o trabalhoENTENDENDO AS BUROCRACIAS QUE ACOMETERAM O COLETIVO SEMENTES NO CARIRI CEARENSE: UMA CONTEXTUALIZAÇÃO DAS CANDIDATURAS COLETIVAS NO CENÁRIO BRASILEIRO.
MARIA RAIANE FELIX BEZERRA; Leila Maria Passos de Souza Bezerra
Este trabalho- em construção- faz parte de uma pesquisa de dissertação de mestrado que tem como objeto de investigação analisar a experiência das mulheres negras que compuseram o Coletivo Sementes, sendo esse, o responsável pela primeira candidatura coletiva composta por apenas mulheres negras no Cariri-Ceará, lançada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em 2020. Buscando compreender a experiência das mulheres que o formaram, assim como o processo de formação- reconstrução- reconfiguração do coletivo. Para a realização da pesquisa, utilizo da perspectiva de Grada Kilomba (2019) study up (estudar-se), que significa o estudo com foco no sujeito, como metodologia de análise da construção do texto, assim, como das falas das interlocutoras, portanto, um ato contracolonial para realçar a relevância de falarmos em nosso próprio nome (kilomba, 2019). Para este momento, de fase quase final da pesquisa, opto por trazer uma contextualização sobre as candidaturas coletivas no senário brasileiro e os trâmites de como essa é vista e interpretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Palavras-chave: coletivo sementes, candidaturas coletivas, mulheres negras
Resumo Simples
Abrir o trabalhoFortalecimento da negritude: Relato de experiência de estagiárias no NEPIR/JN
JENNIFER MARIA; Maria de Fátima Silva; Moema Alves Macêdo
O estágio supervisionado proporciona experiências profissionais aos acadêmicos em situações concretas e a partir delas, encontrar conectividade entre teorias, técnicas e práticas. Com isso promove novas perspectivas e elucidações, amplia a compreensão da psicologia diante das políticas publica, na elaboração e acompanhamento da efetivação das garantias de direitos e do fortalecimento das identidades étnicas raciais. O estagio ocorreu entre o dia 27 de fevereiro a 30 de junho de 2023 em Juazeiro do Norte- CE. O NEPIR (Núcleo de Educação e Promoção para Igualdade Racial) é um órgão que busca alcançar, indivíduos e grupos étnicos raciais vulnerabilizados. Está inserido no organograma da Secretaria de Desenvolvimento Social e Trabalho (SEDEST) e se estrutura com base legal na Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial, no Estatuto da Igualdade Racial e na Política Nacional de Assistência Social com ações educativas, preventivas e protetivas no âmbito dos direitos étnicos-raciais. As suas ações pautam-se em referenciais teóricos afrocentrados e em princípios da educação popular de modo a fortalecer o protagonismo popular e as políticas afirmativas, no enfrentamento as discriminações étnicas, raciais, religiosas, de gênero, estimulando a participação de minorias no processo político, no acesso à educação, saúde, emprego, bens materiais, e demais vertentes da sociedade. O presente estudo trata-se de um trabalho de cunho qualitativo, cujos procedimentos de coleta de dados embasam-se na práxis, pesquisa bibliográfica, levantamento de literaturas e produções acadêmicas afrocentricas.
Palavras-chave: “Estágio”, “psicologia” “NEPIR”, atitudes profissionais, educação antirracista
Resumo Simples
Abrir o trabalhoNegritude: as formas de reconhecimento e representatividade da juventude de Caririaçu/CE
BEATRIZ GONCALVES DE LIRA; Amanda Raquel Rodrigues Pessoa
O presente artigo está pautado na discussão no processo de autodeclaração racial e a formas de reconhecimento e representatividade dos jovens do ensino médio no que diz respeito a cor da pele. Tem como objetivo central identificar a forma de reconhecimento dos jovens quanto ao ser negro, além de verificar a concepção dos jovens sobre as formas de reconhecimento do corpo negro dentro e fora da escola. A metodologia configura-se como pesquisa de natureza qualitativa, de campo, de cunho descritivo. A população do estudo foi composta pelos alunos do ensino médio de uma escola estadual de tempo integral, localizada na cidade de Caririaçu, região metropolitana do Cariri cearense. A amostra foi composta por aqueles jovens estudantes que se autodeclararam negros totalizando oito alunos. Para a primeira fase da coleta de dados fez-se uso do questionário fechado sobre a identificação racial dos jovens, já para a segunda fase utilizou-se de uma entrevista semiestruturada com quem se autodeclarou preto sobre a concepção do corpo negro e as representações do negro na escola e na sociedade. Os resultados mostram que os jovens mesmo autodeclarados pretos sentiram dificuldades em se reconhecer enquanto negro, ainda expressam que em algum momento da vida negaram sua identidade negra.
Oral
Abrir o trabalhoO SOFRIMENTO ÉTICO, POLÍTICO E ANTROPOLÓGICO DO CORPO NEGRO: RELATO DE EXPERIÊNCIAS DE ESTÁGIO EM PSICOLOGIA CLÍNICA
GISLANIA FERREIRA DE LIMA; MOEMA ALVES MACEDO
O sofrimento ético, político e antropológico está relacionado às vulnerabilidades que atingem identidades e papéis sociais que ultrapassam o binômio saúde-doença, visto que a normatização de um modo de ser social impede a fluidez e a capacidade de adaptação do sujeito às diversas situações da vida. Logo, quando se fala, especificamente, do sofrimento do corpo negro, muitas vezes percebem-se identidades que são violentamente arrancadas, mediadas por injustiças sociais, que enfrentam o desrespeito a direitos humanos, a exclusão sociopolítica e discriminações de toda ordem. O objetivo deste trabalho, então, é relatar a vivência da autora principal diante de situações vividas por seus consulentes e relatadas em atendimento clínico em psicologia e, assim, compreender como a visão ampliada da(o) psicóloga(o) nesses processos fortalece um cuidado adequado em saúde mental. Tal fato se relaciona com o enfrentamento psicopolítico das experiências das juventudes negras que, frequentemente, têm seu sofrimento invisibilizado. Esta temática se desenvolve por meio de experiência obtida no Estágio Curricular com ênfase em Processos Clínicos do Curso de Psicologia da Unileão, no qual ocorreu o acompanhamento psicoterapêutico de pessoas cujo sofrimento psíquico era atravessado por estruturas racistas e situações de opressão. A partir dessa experiência, denotou-se a importância da construção de profissionais de psicologia implicados em um lugar compreensivo, solidário e de agente político de enfrentamento, que suporta e dá suporte para a dor do outro. Dessa forma, propõe-se uma clínica em que o psicoterapeuta esteja atento ao modo como é convocado ao campo e acolha a diversidade e o sofrimento desse corpo negro que é impedido de ser quem se é. É nesse espaço compartilhado que o indivíduo pode reconstruir ou ressignificar suas identidades perdidas, encontrar seu modo singular de autonomia, lutar pelos seus direitos, enfrentar a dor e mobilizar-se na criação de novas possibilidades.
Palavras-chave: Sofrimento ético-político,Corpo Negro,Psicologia
Resumo Simples
Abrir o trabalhoQUAL É SUA GUERRA?
JÉSSICA LORENNA LIMA GONÇALVES
Programa performativo, roteiro, sinopse e/ou release do seu trabalho. Uma mulher perambula pelo caminho, pelas ruas de uma cidade, parece desorientada, mas, não, apenas vende poemas há procura de sustento. Questiona os transeuntes: quanto custa sua guerra? Com uma cesta de mercado ela tenta vender poemas em uma cidade em que ninguém parece lhe enxergar. Me comprem um poema! Ela grita. Alguns olham. Outros desviam dela. E na tentativa frustrada de sustento ela cansa, e grita, e rasga, e come, e joga para o alto seus poemas, seu sustento (Pausa). Se recompõe recolhendo o sustento e colocando novamente no cesto, volta a ação de tornar a vender seus poemas. Essa mulher não acredita mais na possibilidade de viver da sua arte, mas precisa sobreviver a uma guerra, é apenas uma ambulante de um produto que já saiu de linha e que não é mais necessário. Afinal poesia é necessária? Quais conceitos você mobiliza nesse trabalho? Chamo de performance documental, ou autobiográfica. Tenho percorrido um caminho de autodescoberta a partir da escrita de poemas e como artista da cena, do corpo e do que faz o meu corpo imagem, resolvi transmuta-las em performance. Com a intenção de vender meus poemas, questiono se de fato a arte é necessária? Como uma mulher sozinha com seus algozes se equilibra na linha de frente da sua própria história.
Palavras-chave: necessidade da arte, performer documental, poesia
Apresentação Artística
Abrir o trabalhoUM OLHAR ACERCA DO CONHECIMENTO E DA APLICABILIDADE DA LEI 10.639/03 COM PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL DA EMEI JOSÉ PERBOYRE SAMPAIO SABIÁ
ILDERYKA SENY ABRANTES DA COTA
Antes da aprovação da lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da cultura afro-brasileira e africana nos currículos da Educação básica, não havia nada que garantisse que esses temas fossem tratados nas salas de aula.Essa lei é resultado de movimentos e lutas sociais . Esse texto apresenta resultados de uma pesquisa sobre o conhecimento da Lei 10.639/03 com professores da Educação Infantil da EMEI JOSÉ PERBOYRE SAMPAIO SABIÁ,na cidade de Juazeiro do Norte-Ce, com o objetivo de compreender como os professores da Educação Infantil da referida escola abordam o ensino a cultura Afro-brasileira e africana nas suas turmas.O processo se deu a partir de uma entrevista semiestruturada, aplicada durante o momento de planejamento. Os dados foram coletados e dispostos para análise à luz de documentos oficiais tais como as Diretrizes Oficiais para a Educação Ètnico-racial, Lei de Diretrizes e bases da Educação Nacional, dentre outros. Verificamos assim,anecessidade urgente dos professores compreenderem a real importância desta lei, para que, desde cedo, as crianças conheçam e aprendam a história do seu país, o significado de diversidade e tornem-se adultos livres de preconceito e racismo.
Oral
Abrir o trabalhoJÉSSICA LORENNA LIMA GONÇALVES; CICERA NUNES
Levando em consideração a Lei nª 9.394/96, alterada pela lei nª 10.639/2003 e as orientações para uma educação das relações étnico-raciais, é que reconhecemos a valoração da literatura afro-brasileira, por meio das contações de histórias no universo da educação infantil como fator ideal para a inserção desses debates nessa etapa da infância. Assim, como estabelecido em lei torna-se obrigatório o ensino da história e da cultura afro –brasileiras nos currículos de toda educação básica, constatando esse documento de lei é que, enxergo essa intervenção e tantas outras feitas nesse campo como relevante para o processo educacional e para o desenvolvimento infantil, na busca de uma transformação social e de fato o aniquilamento das estruturas racistas. Nas orientações para a educação étnico-racial proposta pelo ministério da educação encontramos algumas reflexões para nossa argumentação: Várias pesquisas, nesse sentido, têm demonstrado que o racismo em nossa sociedade constitui também ingrediente para o fracasso escolar de alunos (as) negros (as). A sansão da Lei nª 10.639/2003 (...) é um passo inicial rumo a reparação humanitária do povo negro brasileiro, pois abre caminho para corrigir os danos materiais físicos e psicológicos resultantes do racismo e de formas conexas de discriminação. (EDUCAÇÃO, P.18) Podemos considerar nesse trabalho que quando falamos da educação para as relações étnico-racial também estamos falando da educação antirracista que deseja contribuir para o caminho em que as políticas afirmativas sejam não apenas escritas, mas principalmente implementadas. O próprio significado da palavra antirracista revela, o movimento contrário ao racismo. Sendo assim nos ocuparemos de trazer algumas provocações nesse sentido.
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoCOSMOVISÃO E HISTÓRIA INDÍGENA: CONSIDERAÇÕES ACERCA DOS CONCEITOS DE BEM VIVER NA PÓS-MODERNIDADE PARA O ENSINO DE HISTÓRIA
ANTONIO JUSCELINO BARBOSA DOS SANTOS; FABIA JANAINA MARCIEL DA SILVA; MARIA AURINEIDE MARTINS
O presente trabalho tem a intenção de abordar questões relacionadas á compreensão do conceito de Bem Viver na Pós-modernidade e como este se relaciona com o Ensino de História no cotidiano escolar. O mesmo tem como objetivo geral contextualizar os conceitos de bem viver no Ensino de História. E enquanto objetivos específicos, compreender a origem do bem viver e seus significados e os saberes enfatizados neste conceito, refletindo questões como o consumismo, sociedade do consumo e capitalismo. Nesse trabalho, optou-se por fazer uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativa e descritiva, analisando na literatura disponível artigos, dissertações e trabalhos que corroborem com o objeto de estudo aqui proposto. De maneira que o Bem Viver é uma filosofia em construção que é universal e que parte da cosmologia e do modo de vida ameríndio, mas que está presente nas mais diversas culturas. Assim, a importância do paradigma do Bem Viver não está na realização imediata de uma ruptura, mas na retomada de um horizonte – um futuro com justiça e igualdade. A luta indígena pelo Bem Viver faz parte de uma ampla aliança pela preservação da vida no planeta Terra. Para pensar em Bem Viver é necessário beber da fonte ancestral, mas isso não significa fazer uma leitura utópica do passado, e sim pensá-lo como tempo que respalda a contínua produção do presente e do futuro.
Oral
Abrir o trabalhoFLECHA ENCANTADA, COMUNICAÇÃO NA ENCRUZILHADA: O SABER ORG NICO DE INTELECTUAIS INDÍGENAS E QUILOMBOLAS APLICADOS À COMUNICAÇÃO
TEREZA RAQUEL ARRAES ALVES ROCHA; Luan Matheus dos Santos Santana
Por meio da narrativa das trajetórias de pesquisa de uma pesquisadora e um pesquisador em retomada ancestral, esse artigo tem como objetivo articular as abordagens decoloniais do campo dos estudos da Comunicação latinoamericana com a produção intelectual de autoria indígena e afrodiaspórica. A renovada vitalidade que a crítica tem se debruçado no campo comunicacional visa recuperar na prática e no sentido mais amplo sua dimensão dialógica, democratizante e humanizadora (Torrico Villanueva 2017). Aliados à uma experiência disruptiva do sistema-mundo colonial, temos uma insurgência de intelectuais que instauram um outro tipo de comunicação, que inclui vivências em profunda conexão com os muitos seres da biosfera, a exemplo de Ailton Krenak, Nego Bispo, Vitor Tuxá, Antônia Flexiá Tuxá, Zoe Todd, etc. A partir da auto-etnografia (Adams, 2015), a narrativa das trajetórias de pesquisa visa ampliar os horizontes analíticos e experienciais que surgem no diálogo com estas autoras e autores, bem como com o bioma Caatinga associado a uma atuação ativa nas comunidades periféricas urbanas e/ou levante indígena por intermédio da Comunicação. Mais especificamente, o artigo demarca o campo comunicacional desde a presença de autores que deslocam a presença do humano e de uma comunicação protagonizada por estes e aprofunda as muitas dimensões ontoepistêmicas, espirituais e comunitárias que afloram das relações sensíveis do diálogo multiespécie no sentido de fabular perspectivas comunicaionais centradas na visão dos povos da Terra.
Palavras-chave: comunicação,intelectuais indígenas,quilombolas,Caatinga,Relações sensíveis
Oral
Abrir o trabalhoMarginalidades visuais: conceituando a narrativa imagética do bairro João Cabral (Juazeiro do Norte - CE)
ANDRESSA YARE ANDRADE ROQUE
Ao adentrar as perspectivas das cidades enquanto ferramentas hegemônicas, as margens surgem como um eixo para (re)inventar modelos de narrativas imagéticas, as trazendo para o centro. A televisão permanece sendo um dos “fazeres” jornalísticos que constituem a dominância do monopólio da fala (SODRÉ, 2001) e permeiam as comunicações da violência, sobretudo nas localidades periféricas. O entrecruzamento da mobilidade urbana revela as avenidas identitárias (AKOTIRENE, 2018) presentes no bairro João Cabral, localizado entre os eixos da metrópole de Juazeiro do Norte, no Cariri cearense, possuindo sua maior extensão de habitantes. A cartografia revela em seus trajetos os quintais ancestrais de manifestações culturais às intimidades afetivas, do Reisado aos mercados populares, como o “Mercado do João Cabral”, que se expande com produtos para as ruas e calçadas. O ensaio fotográfico “marginalidades visuais” surge com o propósito de trazer ambientes internos e externos em contra-narrativa do bairro João Cabral enquanto localidade pautada pela fome, pobreza e crimes. A fotografia surge como um fio condutor para humanizar corpos não-brancos e configurar o “trazer-se para si” no resgate da identidade e, como pontua Vilma Neres Bispo (2016), a foto surge como um método humanizador. Do caos urbano, não sabe-se explicar o início nem o fim do bairro, portanto surge a necessidade de trazer as fotos assíncronas, com os elementos visuais das cores, graffitis, anúncios, paredes de casa, até a perspectiva pessoal de figuras emblemáticas como a caricatura dos mestres da cultura e grupos populares de tradição. Na busca do tornar-se, repensar o colonialismo diante da midiatização é, para além do todo, desaprender, buscando trabalhar novas formas de transformar a imagem (HOOKS, 2019). É necessário pontuar o “quilombo urbano” invocado por Beatriz Nascimento ao repensar os modelos do quilombo a partir das vivências em deslocamentos espaciais.
Palavras-chave: imagem,comunicação,visualidade,quilombo urbano
Resumo Simples
Abrir o trabalhoO IBIMO DE UM ILÉ: PODCAST NARRATIVO SOBRE A CONSTRUÇÃO DE UM TERREIRO NO CARIRI CEARENSE
ANA JULYA CARVALHO SAMPAIO; TIAGO COUTINHO PARENTE
O “O Ibimo de um Ilé” é um podcast narrativo que conta a história da construção do primeiro terreiro de candomblé do Crato, o Ilé Asé Omo Ayê. Criado em 2018, o espaço fica situado no bairro Sertãozinho. Transitando entre contos iorubás, conhecidos como itans, juntamente com a história do babalorixá Edylson de Omolu e da fundação do templo religioso, o produto sonoro narra a transformação de uma casa alugada em um terreiro de candomblé. A partir das vivências do pai de santo e dos filhos de santo, o podcast trata de questões relacionadas aos Orixás, fundamentos do candomblé e rituais; dialogando também com a oralidade africana enquanto forma de ensinar e aprender, uma vez que as narrativas orais dos integrantes do terreiro são utilizadas como foco para o desenvolvimento do produto. Levando em conta a importância da tradição oral como principal veículo de difusão da memória ancestral e transmissão dos saberes dos africanos e africanas na diáspora, o podcast utiliza do princípio da oralidade para preservar e difundir a história do Ilé Asé Omo Ayê. Com 21 minutos no total, o áudio costura a história do templo, transmitida oralmente, junto com cânticos dos Orixás e a relação destas energias com a construção do terreiro. Através da sensibilização da escuta, é possível discutir sobre a importância de terreiros de candomblé serem considerados como espaços culturais, históricos e educacionais, como também, para além disso, espaços complementares de saúde e cura.
Palavras-chave: CANDOMBLÉ, ORALIDADE, NARRATIVA, SOM, MEMÓRIA ANCESTRAL
Oral
Abrir o trabalhoREDENÇÃO 2083: perspectivas espaciais, estéticas e especulativas do patrimônio simbólico da memória negra no interior do Ceará
ANTONIO WILAME FERREIRA DA SILVA JUNIOR
Este ensaio busca refletir acerca do patrimônio simbólico, que envolve o município de Redenção na historicidade escravagista e abolicionista no interior do Ceará, a partir de perspectivas estéticas, espaciais e especulativas, a que insere o projeto artístico do autor, denominado REDENÇÃO 2083. Em meio aos discursos contemporâneos de permanência e derrubada de patrimônios do acervo colonialista no ocidente, proponho um estudo de análise e intervenção digital em três monumentos da cidade de Redenção: Negra Nua, Vicente Mulato e Obelisco. Estes monumentos são aqui abordados como pontos de rugosidades (Santos, 2006), que são construídos na paisagem como formas de operar o racismo e perpetuar estereótipos sobre a presença e memória negra em Redenção. Desse modo, diante de um acervo memorial que evoca a imagem de pessoas negras escravizadas a uma perpetuação da dor e do sofrimento, REDENÇÃO 2083 se instaura como um contraponto imagético na busca de uma reconstituição da memória negra por via destes monumentos.
Palavras-chave: REDENÇÃO 2083,Patrimônio simbólico,Memória negra
Resumo Simples
Abrir o trabalhoTelenovela ‘Vai na Fé’ e o quase milagre de um elenco majoritariamente negro
PAULO JUNIOR ALVES PEREIRA
A televisão segue ocupando um lugar central na vida cotidiana brasileira. Pondera-se que isso ocorre mesmo diante da redução de sua ressonância em alguns espaços. Ela persiste como um produto de massa e tem entre os seus programas alguns dos meios mais acessíveis de entretenimento. Nessa linha, cabe destacar o poder das telenovelas, que mantém grau razoável de audiência, além de continuarem pautando de modo adensado o debate público. Desta forma, é compreensível que se espere que esta programação use de seu espaço para promover discussões assertivas sobre questões relevantes, e essenciais, ao contexto social brasileiro. Nessa linha, é fundamental destacar o ainda parco espaço destinado ao protagonismo da pessoa negra nas tramas novelísticas engendradas pela Rede Globo de Televisão. Apresar de mais de 50% da população se autodeclarar negra ou parda, a representação desse percentual pouco aparece nas telenovelas do canal em destaque, tendo por vezes um diminuto número de atores negros no elenco, menos ainda quando são considerados os papéis de protagonismo e destaque. Desta forma, chama atenção que na novela ‘Vai na Fé’ verifique-se uma predominância absoluta de atores negros, cerca de 70% do elenco. Assim, o trabalho em destaque tem como objetivo demarcar e compreender as características que fazem da produção em observação ainda um caso singular, bem como perceber em que camadas representativas estão inseridos os personagens negros de ‘Vai na Fé’.
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoImagens que condenam: Fetiche punitivista como ferramenta da Comunicação de Massa
ANDRESSA YARE ANDRADE ROQUE
A análise surge a partir de uma série de indagações através do entrecruzamento de posicionamentos do Jornalismo com base nas narrativas midiáticas. A imersa mass media produz uma enorme escala de factualidades que influenciam no papel da circulação excessiva de informações no país, refletindo na produção de estigmas que possuem um valor identitário que atravessam da singularidade à pluralidade de pessoas. Para Muniz Sodré (2001) existe uma relação de poder dominante, no qual resulta em um monopólio que a televisão “fala” de forma coloquial quando se dirige ao núcleo doméstico/familiar. Os materiais estruturantes do Brasil Urgente (transmitido pela emissora TV Bandeirantes no Estado de São Paulo), Cidade Alerta e Balanço Geral (transmitido pela emissora TV Record de São Paulo) são vendidos como verdade seduzida (SODRÉ, 2005), no dito “Jornalismo Policial”. Pontua-se nomenclaturas como Punitivismo Factual e Punitivismo Denegado ao detalhar matérias jornalísticas que surgem em contraponto à raça, gênero e classe. Algumas análises como as de Maria Rita Kehl (2015) pontuam a violência como um fator que se insere ao imaginário, bem como o fortalecimento do monopólio informacional e opinativo que reduziu a existência de imprensas menores e alternativas que fugissem desse padrão por não possuírem o capital necessário (PEDROSO, 2001). Romão (2013) afirma que a linguagem presente na série de Jornalismo Policial no Brasil difere-se na linguagem utilizada; usa-se uma linguagem informal, com gírias, palavrões e expressões que são conhecidas por parte da população, estes elementos remetem à ideia de proximidade com o telespectador. As faltas de reparações causadas pelo Estado e sua falha na segurança tendem a aumentar o medo do indivíduo com a midiatização da opinião pública. (BUDÓ, 2006).
Palavras-chave: imagem,comunicação,visualidade,criminalidade
Resumo Simples
Abrir o trabalhoA CULTURA POPULAR COMO INSTRUMENTO DE ESTUDO DA ÁFRICA.
ALISON EVANGELISTA DUARTE SIPAUBA
O referente estudo tem como propósito exaltar algumas manifestações culturais do município de Assaré-CE que possibilitam o processo de ensino-aprendizagem na educação básica, fortalecendo a cultura popular, o Patrimônio imaterial da população negra e o processo educacional das relações de identidade cultural e étnico-racial. A terra da poesia, conhecida como a terra do eterno poeta Patativa do Assaré, também apresenta outras práticas culturais fixadas pela herança de matrizes africanas como a: dança, música entre outras expressões. Para a efetivação dessa empreitada, utilizaremos como base teórica-metodológica as reflexões acerca de Néstor Gárcia Cancline (2019) e de expressões tradicionais como a banda cabaçal e o instrumento pife, representado pelo Mestre da Cultura local Zé Lino. Nas danças folclóricas a representação popular fica a cargo do legado da Mestra Dona Zefa, no ofício da dança do coco e o Mestre Elizeu, no ofício dos Caretas de Bumba meu boi, danças de origem africana e que são associadas a cultura afro-brasileira. As possibilidades de produção e atuação contribuem para à construção do conhecimento e da visibilização de elementos que fazem parte do patrimônio imaterial da cultura afro-brasileira. Além disso, a referente proposta possibilita uma aprendizagem que coligue os saberes e fazeres dos Mestres da cultura assareense como patrimônio cultural da população negra.
Oral
Abrir o trabalhoA Voz da Pedagogia Crioula no Quilombo de Conceição
FABIANA ANA DA SILVA
O trabalho intitulado A Voz da Pedagogia Crioula no Quilombo de Conceição é um texto que foi transformado em vídeo pelas vozes das gerações do Quilombo de Conceição das Crioulas. Em uma comunidade que tem como símbolo a coletividade, as pessoas mais velhas são nossos alicerce, mas costumo dizer que todas e todos no quilombo educam. Assim, pela voz de crianças, jovens e pessoas mais velhas, foi lido um texto de forma coletiva, que ao ser gravada a leitura transformou-se em vídeo. O conteúdo do texto tem a ver com o meu olhar enquanto quilombola, ao ingressar a Universidade Federal do Rio Grande do Sul pelas Ações Afirmativas, nas vagas específicas para quilombolas. O trabalho transmite o que penso com o que eu vi, vivi, senti e aprendi ao adentrar os muros da universidade. Traz reflexões desde o acesso, passando pela permanência até chegar no respectivo título de mestra academicamente falando. Foi transformado e entregue em vídeo para reafirmar que nós, quilombolas, somos da oralidade e nossa forma de transmitir nossos saberes deve ser valorizada e respeitada. Segue o link do vídeo: https://youtu.be/4pn3HGy20L4.
Palavras-chave: Pedagogia Crioula, Ações Afirmativas, Oralidade
Oral
Abrir o trabalhoBEATA MARIA DE ARAÚJO COMO PATRIMÔNIO CULTURAL
JOSÉ ANDRÉ DE ANDRADE
BEATA MARIA DE ARAÚJO COMO PATRIMÔNIO CULTURAL José André de Andrade Mestrando do Programa de Mestrado Profissional em Educação da Universidade Regional do Cariri-URCA, Joseandredeandrade@gmail.com Resumo A questão religiosa de Juazeiro do Norte, que se iniciou com o fenômeno da transformação da hóstia em sangue, fato protagonizado pela Beata Maria de Araújo e Padre Cícero Romão Batista, Originou a prática da religiosidade popular através das romarias, e com as romarias criou-se a cidade, que foi sendo construída numa simbiose coletiva de diversas culturas. Os diversos povos do Nordeste começaram a formar a cidade de Juazeiro do Norte, esses povos em sua maioria foram negros e indígenas de um Brasil recém escravocrata e sem perspectivas de políticas públicas sociais para a população, que buscavam no Juazeiro um Norte como terra prometida. O objetivo é compreender a Beata Maria de Araújo como patrimônio cultural imaterial e o patrimônio material relacionado ao conjunto de artefatos originários de sua história e das manifestações culturais que vieram com as romarias. A metodologia adotada foi a revisão bibliográfica e o diálogo com os conceitos de patrimônio e educação patrimonial. Como resultados preliminares, já podemos vislumbrar que todo o conjunto do patrimônio cultural material e imaterial relacionada a Beata Maria de Araújo e sua história, foi sendo intencionalmente apagado depois que a Igreja condenou os fatos religiosos e impôs o silêncio. Na atualidagde se faz necessário que pesquisas busquem corroborar para esse resgate da identidade da Beata Maria de Araújo que foi uma mulher negra e assim construir essa identidade étnico-racial que se relaciona com as romarias e os diversos artefatos da cultura negra, que foram sendo destruídos dentro do território da religiosidade popular de Juazeiro do Norte.
Oral
Abrir o trabalhoENTRE ILÊS E ESCOLAS: aproximações entre saberes e currículos através da Lei 10.639/03
MARIA EDINA MARQUES FERREIRA; GECYANY SEVERO DA SILVA; JACQUELINE DA SILVA COSTA
O presente trabalho tem o objetivo de analisar a implementação da Lei 10.639/03 a partir da aproximação entre ilês e escolas articulado por meio dos saberes endógenos e ancestrais presentes no terreiros de candomblé a partir da minha própria vivência enquanto mulher de asè, no Ilê Axé Oxum Tunjí, em Juazeiro do Norte-CE, e refletidos por meio do livro Caroço de Dendê. Essa proposta está assentada na compreensão de que é fundamental o diálogo do universo educacional com os saberes de terreiro entendidos com um espaço de manutenção dos valores ancestrais do povo negro e que podem servir de base para o descortinamento em torno de novos paradigmas e consequetemente para a efeitvação da Lei 10.639/03. Em termos metodológicos esta pesquisa centra-se numa análise qualitativa situada na revisão de literatura, e na autoetnografia, como processo de reflexão a partir da própria experiência para a compreensão de um contexto cultural, que neste caso é o arcabouço dos saberes de terreiro. Desse modo, essa proposta se soma nesse espectro educacional, tendo como princípio suleador o combate ao racismo, assim como ao epistemicídio.
Palavras-chave: Ilês,escolas,saberes ancestrais,Lei 10.639/03
Oral
Abrir o trabalhoINVISIBILIDADE NEGRA NO ENSINO SUPERIOR: ANÁLISE SOBRE RACISMO INSTITUCIONAL NA UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI (URCA)
HAYANE MATEUS SILVA GOMES; Hayane Mteus Silva Gomes; Antonio Basilio Novaes Thomaz de Menezes
O desinteresse pela história dos afrodescendentes brasileiros no sistema educacional brasileiro é notável pela invisibilidade da Lei 10.639/03 e lei de cotas 12.990/14 para formação de professores negros e principalmente no ensino superior. O texto tem como objetivo, analisar esse processo de invisibilidade negra no ensino superior na URCA, como também o racismo institucional na instituição de ensino. Nesse sentido, é compreender quais os mecanismo foram utilizados para trabalhar a lei sobre história e cultura Afro-brasileira nas disciplinas no curso de licenciatura pedagogia, como também o processo de cotas para professores negros. O trabalho tem como sujeitos da pesquisa os professores autodeclarados negros do curso de pedagogia. Possui o caráter metodológico qualitativo, e método da pesquisa de campo , com análise de entrevistas semi- estruturadas com professores pretos do curso de pedagogia. Por fim,analisar as situações de descasos, discriminações , invisibilidade e racismo institucional na Instituição de ensino.
Oral
Abrir o trabalhoLITERATURA BRASILEIRA E SUA RELAÇÃO COM A ESCRITA FEMININA ÉTNICO- RACIAL: UM OLHAR PARA A LEI 10.639/03
ANA PAULA MORAES SANTOS SOUZA
Literatura Brasileira com ênfase nas relações étnico-raciais e escrita feminina é o tema central dessa pesquisa. A investigação contempla, dentre outros aspectos, o estudo da Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas públicas e privadas do Ensino Fundamental e Médio, tendo como foco investigativo a apreciação da escrita feminina negra na Literatura Brasileira, representada por Maria Firmina dos Reis, Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo. A pesquisa desenvolveu-se a partir da realização da disciplina eletiva de Literatura Brasileira, em uma turma de 1º ano do Ensino Médio, da EEM Luiz Gonzaga de Alcântara, em Tarrafas-CE. O objetivo principal do trabalho foi refletir sobre assuntos sociais, como causas abolicionistas, desigualdade racial e de gênero, temas afroculturais, ancestralidade, através da análise de textos literários e dos recortes sobre escritoras que protagonizam a escrita negra feminina no Brasil. A eletiva aconteceu entre os meses de março a junho de 2023, com 1 aula (50min) por semana. A metodologia utilizada foi diversa, como aulas expositivas e dialogadas, leituras e pesquisas orientadas, debates temáticos, socialização de estudos por meio de seminários e rodas de conversas. Algumas referências foram essenciais para as reflexões construídas, como Evaristo (2018), Reis (2020), Jesus (2014) e Bossi (2015). Os resultados tecem diálogo com o objetivo proposto, visto que, os estudantes da eletiva construíram conhecimentos críticos e reflexivos, principalmente, sobre a importância dessas mulheres para a história da literatura negra no país, embora, algumas tenham sofrido silenciamento durante seu percurso histórico. A pesquisa possibilitou aos participantes a construção do respeito e valorização do tema trabalhado, tecida sob o viés da leitura, escrita, pesquisa e diálogos, com um olhar voltado à Lei 10.639/03 e a relevância de sua implementação no currículo escolar.
Oral
Abrir o trabalhoLITERATURA NEGRO-BRASILEIRA E RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: POSSIBILIDADES EM “OLHOS D’ÁGUA”, DE CONCEIÇÃO EVARISTO
BRUNA ATAÍDE DE LIMA LOPES; GERANILDE COSTA E SILVA
Este artigo é parte de uma pesquisa de mestrado, vinculada ao Programa Associado de Pós-Graduação em Ensino e Formação Docente (PPGEF – UNILAB/IFCE). Tal estudo versa sobre as possibilidades da literatura negro-brasileira entendendo que, passados vinte anos da instituição da lei n. 10.639/2003, a qual incluiu a obrigatoriedade do ensino de história e cultura Africana e Afro-brasileira na educação básica, ainda é possível notar dificuldades para a aplicabilidade da citada legislação. Nesse contexto, acreditando que os fatores histórico-sociais contribuem para atualização do preconceito, da discriminação e do racismo, propomos um estudo que apresenta como principal corpus a obra Olhos d’água, de Conceição Evaristo, por acreditar que os textos nela presentes têm por preceito problematizar o lugar ocupado pelo/a negro/a na sociedade e seu percurso de resistência e luta. Para isso, parte-se dos seguintes questionamentos: Como o uso da obra Olhos d’água, pelo/a professor/a pode ampliar as possibilidades de práticas de ensino que favorecem a educação para as relações étnico-raciais? Como os/as professores/professoras, negros/as e não negros/as, participam e interagem quando o assunto é o racismo e cultura negra?, no intuito de questionar práticas racistas já naturalizadas e apontar estratégias para afirmativa da identidade e cultura negras.
Palavras-chave: Literatura negro-brasileira,Relações étnico-raciais,Escrevivência,Currículo,Ensino
Oral
Abrir o trabalhoPRÁTICAS RENOVADAS NO ENSINO DE ARQUITETURA E URBANISMO: UMA ANÁLISE DE CONSTRUÇÕES VERNACULARES NA CIDADE DE IGUATU-CE
JEFFERSON ALEFF BEZERRA BATISTA; Henrique Cunha Júnior
A arquitetura vernacular consiste em técnicas construtivas que utilizam materiais de baixo impacto ambiental e podem ser aplicadas em diversos tipos de edificações como moradias, comércios e afins. De modo geral, essa tipologia construtiva de origem africana, faz uso do barro e de fibras secas tecidas, materiais comuns a todos os povos, como expressão de igualdade e pertencimento ao mesmo grupo. Entretanto, percebe-se uma desvalorização que se reflete na não inclusão da temática na grade curricular dos cursos de arquitetura e urbanismo, no menosprezo das técnicas construtivas populares e consequentemente, na perda dos saberes e fazeres relacionados a esse tipo de construção. Mediante isso, o objetivo central desta pesquisa é desenvolver práticas renovadas que contribuam com a valorização da arquitetura vernacular nas áreas rurais do município de Iguatu-Ce. Para isso foi tomada como base a disciplina de Construções e Arquitetura Rural de uma Instituição de Ensino Superior da cidade de Iguatu, no Centro-sul do Ceará. Foram utilizadas pesquisas bibliográficas e pesquisa de campo, onde a estratégia avaliativa utilizada na pesquisa buscou identificar e analisar algumas das construções vernaculares presentes na zora rural da cidade de Iguatu-Ce. Essa estratégia contribuiu para que os estudantes se posicionassem criticamente, a fim de proporcionar uma maior valorização dessas manifestações arquitetônicas vernaculares, tema esse que carece de atenção e maior documentação, principalmente em cidades do interior e diante da crescente destruição da arquitetura popular. O estudo reconhece a necessidade de se incluir cada vez mais a arquitetura popular nos currículos de arquitetura e urbanismo, e não reduzi-las apenas às construções de caráter provisório e únicas alternativas de moradia. Pelo contrário, a arquitetura popular tem muito a ensinar sobre relação de respeito com a natureza, sustentabilidade, resistência, tradições e cultura local.
Palavras-chave: Práticas renovadas, Ensino de Arquitetura e Urbanismo,Arquitetura Vernacular
Oral
Abrir o trabalhoRELATOS AUTOBIOGRÁFICOS SOBRE A CAPOEIRA ANGOLA DO CEARÁ: EM BUSCA DE AFRORREFERÊNCIAS NAS RODAS E VIVÊNCIAS
JOSÉ OLÍMPIO FERREIRA NETO
A Capoeira do Ceará tem o seu processo de desenvolvimento de organização em grupos iniciado na década de 1970. Desde sua gênese, os capoeiristas cearenses mantêm um diálogo com capoeiristas de outros estados, entre eles, os adeptos da Capoeira Angola. O Mestre Zé Renato, um dos precursores da Capoeira no Ceará, em suas viagens em busca de vivências com a prática cultural, conheceu o Mestre Pastinha, um dos expoentes da Capoeira Angola. O Mestre Paulão, entre outros, alinhado com a Capoeira Contemporânea do Grupo Senzala, na década de 1980, proporcionou o contato com mestres da Capoeira Angola em seus eventos. A partir da década de 1990, a Capoeira Angola começa um processo de crescimento de adeptos no Ceará, pois o Mestre Armandinho do Rio de Janeiro-RJ e o Mestre Rafael Magnata de João Pessoa-PB, iniciam trabalhos em Fortaleza. Capoeiristas locais como o Mestre João Walter também fazem sua iniciação na Capoeira Angola. Diante do contexto descrito, o presente trabalho tem o objetivo de identificar africanidades na Capoeira Angola do Ceará. É possível entender a Capoeira Angola como uma produção cultural afrodescendente, que é permeada por valores civilizatórios da população negra? A partir da imersão, com produção de relatos autobiográficos, buscou-se afrorreferências nas rodas e vivências de Capoeira Angola, no Ceará. Para perceber, identificar e compreender esses elementos afrorreferenciados foi utilizada a epistemologia dos Bairros Negros, elaborada por Henrique Cunha Junior. Como resultados iniciais, foi possível identificar elementos afrorreferenciados que podem colaborar para o fortalecimento da população negra no Ceará. É possível concluir, parcialmente, que a Capoeira Angola do Ceará é uma prática cultural afrodescendente, portanto afrorreferenciada, que promove o fluxo de africanidades em suas rodas e vivências, efetivando a Lei nº 10.639/2003. Suas rodas são espaços educacionais. As vivências portam conteúdos que podem ser trabalhados nas escolas.
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoLUIZ HENRIQUE COSTA DE SANTANA; PROFa. DR. IMARA BEMFICA MINEIRO
O processo de colonização de África esteve marcado por estratégias que promoveram a deshumanização e a animalização dos sujeitos africanos. Diante disso, a literatura surge como uma expressão artística e cultural que reafirma ou que aponta para os estigmas da colonização, para os rastros do colonialismo e as marcas da colonialidade. Neste artigo abordamos o romance O mundo se despedaça, do escritor nigeriano Chinua Achebe, em uma análise comparativa com O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, a fim de comparar as representações tecidas sobre o imperialismo colonial africano. Para tanto nos respaldamos em pesquisadores ligados às perspectivas Pós-Coloniais, tais como Spivak (2010; 2022), Kilomba (2019) e Mbembe (2014a; 2014b), que versam, entre outros, acerca das questões de subalternidade e colonialismo. Constatamos que a escrita de Achebe é potencialmente política, elaborando um discurso contra-hegemônico que provoca o questionamento das estruturas da colonialidade, que ainda ecoam em nossos dias e precisam desmoronar.
Palavras-chave: Chinua Achebe,colonização,literatura,história
Oral
Abrir o trabalhoVOZES SUBLIMES: A EXPRESSÃO DA SOLIDÃO FEMININA NA ESCRITA CONTEMPOR NEA.
ANTÔNIA KACIA SOUSA BEZERRA; Prof. Dra. Monalisa Valente Ferreira
Este estudo, está sendo desenvolvido como parte do trabalho de conclusão de curso em Letras - Língua Portuguesa, tem como objetivo analisar duas obras contemporâneas de relevância literária: "Luanda, Lisboa, Paraíso" de Djaimilia Pereira (2018) e "O Peso do Pássaro Morto" de Aline Bei (2017), representantes de Angola e Brasil, respectivamente. A pesquisa concentra-se na identificação das estratégias narrativas empregadas pelas autoras, na comparação das representações da solidão de personagens femininas nas obras e na avaliação das contribuições das autoras para a literatura contemporânea. A metodologia adotada consiste em uma pesquisa bibliográfica de natureza qualitativa, centrada na análise de textos literários e teóricos pertinentes. Os resultados preliminares indicam a presença de estratégias narrativas distintas nas obras selecionadas, bem como semelhanças e diferenças significativas na representação da solidão feminina. Ambas as autoras desafiam estereótipos de gênero e ampliam a visibilidade de vozes marginalizadas na literatura contemporânea. Este estudo visa contribuir para o reconhecimento e a valorização das autoras Djaimilia Pereira e Aline Bei no cenário literário, destacando suas contribuições e perspectivas únicas sobre a solidão feminina em diferentes contextos culturais.
Palavras-chave: Feminina, mulheres,solidão
Resumo Simples
Abrir o trabalhoEDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL: DESAFIOS E POSSIBILIDADES DE ENFRENTAMENTO AO CAPACITISMO A PARTIR DO CAMPO DAS ATES VISUAIS
ROGÉRIO HENRIQUE DA SILVA ALBUQUERQUE
A proposta desse trabalho é refletir sobre a Educação inclusiva no Brasil, a partir do campo pedagógico das Artes Visuais. Apresentamos uma compreensão de educação inclusiva, como aquela que ancorada nos direitos humanos, visa uma educação que valoriza a diferença e igualdade como fatores imbricados dos sujeitos sociais, com proposito de equidade dentro e fora da escola (BRASIL, 2007, p.1). Contudo, uma breve revisitação histórica dessa educação especifica no Brasil, mostra-nos momentos em que essa política reproduz o senso comum e as percepções sociais acerca das pessoas com deficiência, assim, destacamos três momentos para reflexão: um período de segregação; outro de integração social; período compreendido como o de inclusão (LEAL; NETO, 2019). Observamos esses momentos a partir do campo das artes visuais, tensionando como a pratica cotidiana pode ter momentos de reprodução do capacitismo, que é uma forma de discriminação onde se acredita que pessoas com deficiências não são capazes (MELLO, 2016), bem como, momentos estratégicos de reinvenção e enfrentamento da corponormatividade, que em sua busca por corpo funcionais, promove múltiplas violências a quem não se encaixa em seus modelos de humanidade (CAMPOS; SOUSA, 2019). É acreditando em uma Arte-educação como epistemologia da arte, como diria Barbosa (2012), que poderemos descontruir a lógica do capacitismo.
Palavras-chave: Educação inclusiva,Artes visuais,Anticapacitismo,Efetivação
Oral
Abrir o trabalhoPONTES OU MURALHAS: UMA BREVE ANÁLISE DAS LIMITAÇÕES PARA EFETIVAÇÃO DA POLÍTICA DE COTAS
FLAUDEMIR SÁVIO SOUSA MENDES; REBECA OLIVEIRA SOUSA; FERNANDA ROCHA DE OLIVEIRA
No Brasil, país reconhecidamente racista e capacitista, tem havido diversos debates e lutas para a implantação de políticas afirmativas intencionando, se não a superação, a amenização das diferenças de oportunidades geradas pela histórica exclusão estrutural da nossa sociedade. As cotas para pessoas negras e com deficiência são exemplos desse tipo de iniciativa, e vêm contribuindo para uma maior inclusão de citados grupos sociais no mercado de trabalho. No Ceará, a Lei Estadual Nº 17.432/2021 (regulamentada pelo Decreto Estadual nº 34.534/2022) reserva vagas para candidatos negros e com deficiência em concursos públicos destinados ao provimento de cargos ou empregos públicos do poder executivo estadual. Contudo, a hipótese do presente trabalho é que a existência de aparato legal não garante a adequada aplicação das políticas de cotas. No Concurso Público para Magistério Superior da Universidade Regional do Cariri (URCA), divulgado no Edital Nº 05/2022, foi preciso ordem judicial para que a quantidade correta de vagas destinadas a pessoas cotistas fosse cumprida. É objetivo do trabalho analisar o caso em tela, demonstrando evidências das dificuldades de efetivação das políticas de cotas em concurso para docência no ensino superior. Tendo como objeto de estudo o citado concurso, foram realizadas pesquisas bibliográfica e legislativa (para demarcação de conceitos e marcos importantes no campo das políticas afirmativas), como também em jornais eletrônicos e portais institucionais disponíveis na internet (documentos oficiais publicados e entrevistas concedidas por gestores da instituição). Entre os resultados do trabalho está a demonstração de como a existência de legislação específica não é suficiente para garantir a efetivação de políticas afirmativas em certames públicos, sendo essencial a atuação de movimentos sociais e sindicais para fiscalizar, interceder e contribuir para a reversão desse quadro.
Palavras-chave: Políticas Afirmativas,Cotas,Concursos Públicos, Exclusão social, URCA
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoA IMPLICAÇÃO DO RACISMO NAS RELIGIÕES DE MATRIZES AFRICANAS: UMA ANÁLISE DO RACISMO RELIGIOSO E DA VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS
ALEXANDRINA NAYARA FERNANDES CAMPOS; Yohana Alencar Oyátòsín
A presenta pesquisa discorre acerca dos impactos da escravidão no Brasil, que resultaram em graves prejuízos para aqueles que foram forçados a abandonar suas terras oriundas devido à diáspora africana. Na perspectiva histórica, observa-se que em setores essenciais como a cultura, educação e os direitos fundamentais eram direcionados à elite branca. Somando-se a isso, a negligencia do poder público na implementação de políticas públicas para inserir os negros em áreas predominantemente ocupadas por brancos, intensificando, assim, a opressão vivenciada pelos afrodecendentes. A referida abolição da escravidão em 1888 não ofereceu nenhum suporte aos “ex-escravizados” para que acendessem. À vista disso, resultou em diversas violações sistemáticas dos direitos elementares da população negra, como a exclusão social, a marginalização econômica e a invisibilidade das pessoas adeptas das religiões de matrizes africanas. Neste contexto, uma das formas de demonstração está na intolerância religiosa, e consequentemente, do racismo religioso referente às religiões de filosofias africanas. Mesmo com as legislações previstas na Declaração Universal dos Direitos Humanos e na Constituição de 1988, as quais protegem a liberdade religiosa, ainda é possível ver esse direito sendo violado. O objetivo desta pesquisa é refletir como o racismo estrutural implica diretamente na violência contra as religiões de matriz africana. A metodologia adotada para fundamentar a presente pesquisa foi de natureza bibliográfica. Para subsidiar o entendimento sobre o tema, foram utilizados conceitos e teorias de autores como Silvio Almeida (2018); Sidnei Nogueira (2020), Yohana Alencar (2022); Kabengele Munanga (2003) entre outros autores relevantes para o tema abordado. Em suma, torna-se necessário que o Estado adote medidas que busquem promover ações voltadas ao diálogo inter-religioso, à promoção da representatividade e à sensibilização.
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoCrítica da Criminologia Preta à Medicina Legal de Nina Rodrigues e Suas Repercussões
MATEUS ALVES VIEIRA
Este estudo tem como objetivo geral analisar a influência das teorias raciais de Nina Rodrigues na medicina legal e no sistema judicial brasileiro, abordando suas implicações na justiça racial contemporânea. É relevante ao destacar como as teorias de Nina Rodrigues continuam a influenciar a justiça racial no Brasil, fornecendo reflexões importantes para a compreensão e enfrentamento do racismo estrutural, A pesquisa adotou uma abordagem metodológica abrangente, incluindo pesquisa bibliográfica, coleta de dados documentais, entrevistas com especialistas e análises quantitativas e qualitativas. Os resultados demonstram a persistência das influências de Nina Rodrigues na política racial e nas decisões judiciais brasileiras, destacando a necessidade urgente de políticas públicas eficazes para combater as desigualdades raciais no país. A criminologia preta é um caminho a ser elucidado e deve ser estudada cada vez mais a fundo, desta forma, desvendam-se formas implícitas e explícitas de racismo, e põem-se à justiça questões necessárias para o coletivo em específico estudado.
Palavras-chave: Medicina Legal,Nina Rodrigues,Raça,Racismo,Criminologia Preta
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoDESVELANDO LACUNAS: BRANQUITUDE E RACISMO EPISTEMOLÓGICO NA FORMAÇÃO EM PSICOLOGIA
RAQUEL SOUZA DOS SANTOS; CARLOS MACEDO MENESCAL; MOEMA ALVES MACÊDO
A presente pesquisa tem como proposta compreender a operação da colonialidade no Ensino Superior em Psicologia que se torna um campo reprodutor de violências sistemáticas e inviabiliza o cuidado em saúde mental à população negra. Para análise foi feito uma pesquisa qualitativa utilizando como método a revisão de literatura. A universidade, aliada ao pacto da branquitude, apresenta-se como um campo de atuação da violência colonial que se utiliza do racismo epistemológico para impor uma única voz, um único saber e uma única referência humana para interpretar e intervir no mundo. Nas graduações em psicologia, deparamo-nos com as velhas artimanhas coloniais em que se estuda e intervém em torno de subjetividades brancas, com a proposta de ser universal, desconsiderando as singularidades e marcadores raciais e sociais. Tendo como base a educação eurocêntrica, subjetividades e modos de vidas negras não encontram espaços para existir, visto que não há referências, teorias, método e manejos clínicos a população étnico-racial, destinando um olhar limitado, patologizante, estereotipado, que impossibilita a promoção de saúde mental e superação da dor e do sofrimento provocados pelo racismo, contribuindo, assim, para a sua manutenção. Então, essa pesquisa visa contribuir com os tensionamentos necessários sobre a formação em psicologia, refletindo sobre as lacunas das matrizes curriculares, construída sob a lógica da branquitude, que não prepara de forma satisfatória os profissionais para as questões raciais que serão demandadas na sua atuação.
Resumo Expandido
Abrir o trabalhoExperiência da Travestilidade em "Terra Santa": entre abjeção, transgressão e resistência
ANA PAULA DE ALBUQUERQUE; Iara Maria de Araújo
Este é o ‘produto educacional’ gestado da dissertação EXPERIÊNCIA DA TRAVESTILIDADE EM “TERRA SANTA”: ENTRE ABJEÇÃO, TRANSGRESSÃO E RESISTÊNCIA, apresentada ao Programa de Mestrado Profissional em Educação da Universidade Regional do Cariri – URCA em 2020, na área: Práticas Educativas, Culturas e Diversidades. O produto em mestrado se apresenta como uma forma de tornar pública a pesquisa realizada nesse processo, e se caracteriza como um recurso metodológico que favorece a prática pedagógica. Optou-se pelo cordel enquanto recurso acadêmico, por se tratar de gênero literário popular que realiza a conexão entre a tradição oral e a escrita, e se manifesta através de folhetos em forma de versos rimados e vocabulário informal. Além de funcionar como instrumento de fácil acesso a população em geral. O conteúdo deste cordel reflete sobre a sexualidade humana e as diversas identidades de gênero que se apresentam enquanto performatividades transgressoras, ou seja, processos que escapam os comportamentos socialmente aceitos, legitimados, normatizados e padronizados. O foco da análise é sobre a concepção de outros modos de subjetividade, priorizando a identidade travesti enquanto elemento central desse estudo. Procurou-se dissertar sobre a construção dessa identidade a partir do reconhecimento, as vivencias que dão sentido e significado as suas experiências enquanto travestis, suas percepções em torno de seus processos de transição nas fronteiras de gênero e diversidade; Refletir como as travestis lidam com a (des) construção de sua identidade sexual e de gênero dissidentes, mediante um território permeado pela religiosidade; Socializar suas impressões de como foram/são realizadas as transições/ (re) construções dos corpos e as performatividades de gênero e suas implicações na vida familiar, social e afetiva; E identificar como se dão seus processos de resistência e emancipação enquanto travestis no cotidiano da cidade de Juazeiro do Norte, Ceará.
Palavras-chave: Sexualidade,Travesti,Território
Oral
Abrir o trabalhoFORMAÇÃO EM PEDAGOGIA SE É INTERSECCIONAL É INCLUSIVA: NARRATIVAS AUTOBIOGRÁFICAS COMO PROCESSO FORMATIVO DE DISCENTES DO CURSO DE PEDAGOGIA DA UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI -URCA
EDILENE TAVEIRA DE SOUSA; José Ricardo de Sousa Santana
Esta pesquisa em andamento como projeto de iniciação científica busca construir uma pesquisa que irá refletir através das narrativas autobiográficas de discentes do curso de Pedagogia da Universidade Regional do Cariri, o quanto que sua formação contemplou uma mentalidade interseccional e consequentemente em uma perspectiva inclusiva, visto que ambas são categorias indissociáveis, com intuito de avaliar as possibilidades dos currículos de ir além do que já é trabalhado em formações docentes continuadas. A partir de discussões a calouradas e pela busca de aprender com/entre/na diversidade que esta pesquisa está orientada pela temática geradora “formação docente para interseccionalizar o currículo”, buscando respostas para a seguinte problematização: Por meio das narrativas autobiográficas de discente do curso de Pedagogia da Universidade Regional do Cariri - URCA, como sua formação privilegia discussões e análise dos fenômenos a partir da interseccionalidade e da inclusão como categorias inseparáveis na sua trajetória de formação docente?A pesquisa será de cunho qualitativo, exploratório e descritivo fazendo da entrevista por narrativa autobiográfica um processo formativo que possibilita evidenciar através das narrativas de vida, como também o cotidiano da formação de professores. Espera-se com esta pesquisa que seja possível refletir sobre a perspectiva interseccional e inclusiva como elementos indispensáveis que garantem uma formação de profissionais pedagogos aptos a atuar na educação, tomando como referência os impactos de sua formação em Pedagogia ofertada pela URCA e se ambas as categorias foram contempladas em consonância com o Projeto Político Pedagógico - PPP.
Resumo Simples
Abrir o trabalhoMULHERES EM MOVIMENTO: NARRATIVAS DE SI EM CONSTRUÇÃO DE NÓS
MARIA LILIANE ROSADO RODRIGUES; Iara Maria de Araújo; Antônia Eudivânia de Oliveira Silva
Este trabalho trata-se de uma cartilha educativa, produto educacional, fruto da pesquisa intitulada “Pedagogia Popular Feminista: uma proposta pedagógica no Cariri Cearense” vinculada ao Programa de Mestrado Profissional em Educação da Universidade Regional do Cariri. Nesta produção, utiliza-se de bases teórico-metodológicas que constituem os Feminismos Populares, forjado na América Latina, a partir do diálogo entre as epistemologias feministas e a Educação Popular, constituindo-se em uma práxis político pedagógica, que envolve a imersão no cotidiano das mulheres das camadas populares. Assim, como ferramenta pedagógica, este material propõe engajar as mulheres de classes populares nas produções de suas identidades, através de uma sequência de dinâmicas de grupo, estruturadas a partir da formação de Círculos Reflexivos Biográficos que as auxiliarão a olharem para si, sendo estimuladas, a partir de suas histórias de vida, a desvendar como performatizam seu gênero no território onde vivem e quais os lugares que elas ocupam no jogo das relações sociais. A cartilha está organizada a partir de eixos temáticos, os quais oferecem subsídios para problematização dos processos históricos/sociais em que as mulheres latinas estão inseridas. Assim, os eixos apresentam-se na seguinte sequência: “Os Desafios para a Igualdade de Gênero na América Latina”, “Um Breve Histórico sobre o Feminismo”, “O que é Feminismo Popular”, “A Experiência em Perspectiva”, “O que são os Círculos Reflexivos Biográficos”. Concluímos a cartilha com “Uma Proposta para a Realização dos Círculos Reflexivos Biográficos”, constituindo-se em uma sequência de sugestão de atividades para a vivência em um CRB.
Palavras-chave: MULHERES, EDUCAÇÃO POPULAR, FEMINISMOS,NARRATIVAS DE SI
Oral
Abrir o trabalhoO PATRIARCADO NÃO AGE SOZINHO: A INSTITUIÇÃO ESCOLAR COMO ESPAÇO NORMATIVO
HELENA FERREIRA DUARTE; PAULO CESAR FERREIRA SOARES
O modelo de sociedade atual, no qual as crianças estão inseridas, é machista, racista, misógino. Nesse contexto, as crianças já sentem e constroem uma percepção inicial sobre as posições de gênero pré-definidas socialmente, ou seja, internalizam essas diferenças. Dessa forma, o trabalho na docência e nessas modalidades de ensino, quais sejam: a Educação Infantil e os Anos Iniciais do Ensino Fundamental, a partir dessas percepções, fez-nos pensar sobre qual o papel da escola enquanto espaço educativo. Neste cenário, o presente texto surge da experiência enquanto docente, quando foi perceptível ações machistas desde a mais tenra idade, pelas quais, após uma busca por aprofundamento teórico e prático, foi possível caracterizá-las nas instituições em exercício. Tais ações tinham, enquanto fundamento, a normatização das crianças. Sendo assim, compreendendo que nos constituímos como seres sociais, e com base nas relações estabelecidas com as experiências de vida, e com a contribuição das pessoas que nos rodeiam numa relação de troca, entendemos que a construção do eu e do outro é formada de forma simultânea. Portanto, o texto segue uma discussão materialista histórico-dialética, a qual compreende o micro atrelado ao macro, logo não sendo possível pensarmos em um modelo de educação sem discutirmos todas as demandas sociais, históricas e econômicas que lhes encobre.
Palavras-chave: Normatização,Patriarcado,Educação
Oral
Abrir o trabalhoO QUE SABEM AS CRIANÇAS DA EDUCAÇÃO INFANTIL SOBRE SER MENINA OU MENINO?
KARINE FEITOSA CARLOS SANTANA
O estudo proposto se justifica pela necessidade de refletir qual a percepção que as crianças têm de sua identificação com um gênero, feminino ou masculino, ou, ainda, como uma pessoa não binária. O processo de construção da identidade, ocorre nos diversos campos nos quais a criança está inserida e que ela produz uma interação entre os saberes construídos nos vários ambientes, principalmente em casa. Interessa compreender como o processo de construção da identidade de gênero é tecido na Educação Infantil. Têm-se como objetivo geral compreender como ocorre a aprendizagem das crianças da Educação Infantil em relação a percepção de si mesma e do outro no processo de construção da identidade de gênero - ser menina e ser menino. Para refletir acerca das questões de gênero, toma-se como referenciais teóricos Guacira Louro, Saffioti, Araújo e Esmeraldo e Pierre Bourdieu. A pesquisa ocorrerá a partir da análise das diretrizes que referenciam a Educação Infantil no Brasil e no Ceará, além dos planejamentos pedagógicos e materiais utilizados pela escola e professoras/es. Serão cotejadas as análises documentais com a prática pedagógica das/os professoras/es. Analisaremos a prática pedagógica com os campos de experiência preconizados pela Base Nacional Comum Curricular. Durante a pesquisa de campo, será observado e interpretado como as crianças e profissionais da educação mobilizam saberes, constructos, fazeres e elaboram significações no processo de autorreconhecimento e do reconhecimento do outro, na perspectiva da construção da identidade de gênero – ser menina ou ser menino. Para tanto, observaremos e conversaremos com elas por meio de Grupo Focal e aplicação de entrevistas semiestruturadas. Como produto final dessa pesquisa, qualificar a necessidade da discussão de gênero na Educação Infantil, que ao final será publicizado e compartilhado com a Secretaria Municipal de Educação de Juazeiro do Norte e as instituições de educação básica.
Palavras-chave: Educação Infantil, Gênero, Identidade
Oral
Abrir o trabalhoOS DIVERSOS CONTEXTOS DA EDUCAÇÃO E TRABALHO DAS MULHERES NO BRASIL E NOS PALOP
ANA CÁSSIA ALVES CUNHA
A escrita deste artigo teve como objetivo refletir sobre a história e a contemporaneidade da educação e do trabalho para as mulheres do Brasil e dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (POLOP). Tendo como discussão teórica o contexto histórico e contemporâneo da educação e do trabalho no Brasil e PALOP, a partir de uma perspectiva histórica. Além de discutir sobre as questões de gênero, educação e trabalho, a partir do capitalismo e da pós-modernidade. Para isso, foi realizado uma revisão bibliográfica, possibilitando o diálogo entre especialidades para compreender as estruturas sociais do trabalho e da educação e suas influências, tendo como referência autoras e autores que tratam sobre uma perspectiva história (SANTANA, 2009; DOMINGUES, 2008; RIBEIRO, 2007), do campo do direito (SILVA, 2018; SIQUEIRA, 2015; MICHELON, OLIVEIRA 2012), da educação (OLIVEIRA; ZIENTARSK, 2019), assim como da psicologia, (QUEDAU, 2007), sociologia (LUGONES, 2014; ANTUNES, 2005; OYĚWÙMÍ, 2000) e da filosofia (FRASER, 2017), além dos estudos realizados por organismos como o IBGE, INEP, ONU, RESEN, entre outros. Ao longo do texto é possível verificar os papeis sociais impostos para as mulheres, principalmente para aquela as mulheres negras e pobres, que não tinham direito ao acesso à educação e tiveram como seu único recurso o trabalho precarizado. Fruto destes, vemos em nossa contemporaneidade que, embora a educação superior seja mais acessível para mulheres, existe uma concentração destas nas áreas das licenciaturas e uma baixa nas áreas de ciência e exatas, demonstrando as desigualdades de gênero. Estas também podem ser observadas no mercado de trabalho, pois as mulheres ainda enfrentam desigualdades salariais, com rendimentos inferiores em comparação com os homens, e uma taxa de desemprego mais alta.
Palavras-chave: Educação,Trabalho,Mulher,Capitalismo
Oral
Abrir o trabalhoQUESTÕES DE GÊNERO E SEXUALIDADE NAS PRÁTICAS EDUCATIVAS DO GRUPO REMOP (2013-2023)
CÍCERO JOAQUIM DOS SANTOS; José Cláudio Leôncio Gonçalves
Esta pesquisa busca compreender as práticas educativas voltadas para as relações de gênero e sexualidades realizadas pelos membros do grupo REMOP, entre os anos de 2013 e 2023. O Grupo Retratores da Memória de Porteiras (REMOP) surgiu em fevereiro de 2004, composto por cerca de 10 jovens, sendo eles estudantes secundaristas e universitários. O grupo surgiu a partir do Curso de Formação à Distância Memória e Patrimônio Cultural do Ceará, ofertado gratuitamente pelo Instituto da Memória do Povo Cearense (IMOPEC). No decorrer dos seus 19 anos de atuação, o REMOP construiu sua identidade social como um agrupamento negro. Hoje ele é composto por 10 integrantes, sendo nove negros, seis mulheres, seis LGBTQIA+, duas pessoas quilombolas e duas PCD. Este estudo pretende problematizar a construção de identidade do grupo a partir das suas ações, direcionado os recortes de gênero, sexualidade e raça/etnia. Como primeiros resultados, a pesquisa identifica a realização do VI Seminário Regional Espaço Aberto à Cultura (ESPACULT), em 2013, como um marco em Porteiras. Esse evento de base comunitária trabalhou o tema Memória e Sexualidade, e pela vez colocou os debates sobre gênero e sexualidades como pontos centrais nas formações educativas daquela cidade. Uma segunda ação de destaque diz respeito ao projeto GENXES: Oficinas de Ensino de História, Gênero e Sexualidades, iniciadas em 2018. A partir das cobranças públicas realizadas pelo referido grupo, em 2022, o município de Porteiras realizou a I Semana da Diversidade Sexual de Porteiras, contando com a participação do REMOP na sua organização e realização. Por fim, em 2023, outra ação de destaque foi a criação do Núcleo GENXES: Acolhimento e Empoderamento LGBTQIA+ de Porteiras. Único equipamento voltado para demandas de acolhimento e de formação LGBTQIA+ no município, o núcleo foi instalado na sede da Associação REMOP, nas dependências do Museu Comunitário Casa da Memória de Porteiras.
Palavras-chave: Gênero,Sexualidade,Memória
Oral
Abrir o trabalho“A VIRGEM DO ROSÁRIO E A CHAVE DO SACRÁRIO”: DISCURSOS DE (DES) CONSTRUÇÃO SOBRE A BEATA MARIA DE ARAÚJO NO HINO DOS ROMEIROS
NATANAELY NUNES DA SILVA; Cláudia Rejanne Pinheiro Grangeiro
O presente trabalho busca realizar um estudo acerca dos discursos produzidos sobre a Beata Maria de Araújo, utilizando como base os conceitos e teorias da chamada Análise do Discurso Francesa (AD), em autores como Pêcheux (1997), Orlandi (1997), conjugados com as pensadoras feministas negras como Ângela Davis (2016), Djamila Ribeiro (2020), Carla Akotirene (2019), dentre outros (as). Esta pesquisa tem o objetivo de construir uma análise dos discursos que contribuem com a perpetuação do apagamento da figura de Maria e como eles estão presentes em expressões populares como os benditos de romaria. Assim, partindo dessa premissa e sabendo que todo poder pressupõe resistências, analisamos, também, as atuações que tem se manifestado em solo caririense, em formato de resistência e oposição a este processo de apagamento e que buscam valorizá-la enquanto personagem importante para a história religiosa do Nordeste brasileiro. Para tanto, buscamos compreender como os marcadores sociais de raça, gênero e classe estão atrelados às tentativas de apagamento que esta personagem tem sofrido ao longo do tempo. Para este trabalho específico, fazemos um estudo comparativo entre as versões do “Hino dos romeiros”, de autoria desconhecida. Há uma versão mais conhecida e entoada pelos (as) romeiros (as), que faz referência ao Padre Cícero, aos anjos e sereias e uma versão entoada por Dona Dorinha do Horto, a qual, segundo ela, foi composta por sua mãe, Dona Maria dos Benditos. Nesta versão, há referência à Beata Maria de Araújo e aos panos ensanguentados daquele que ficou conhecido como o “Milagre de Juazeiro”, cuja memória movimenta anualmente a cidade e atrai um grande contingente de romeiros que são levados à cidade através de sua fé.
Palavras-chave: Maria de Araújo,Discurso,Memória,Silenciamento,Benditos
Resumo Expandido
Abrir o trabalho