A roda de conversa propõe um encontro entre o pesquisador senegalês Paul Diédhiou, da Universidade Assane Seck de Ziguinchor, e Troncos Velhos do povo Truká, de Cabrobó (PE), para conversar sobre as relações entre espiritualidade, território e preservação da natureza a partir das experiências Joola, na Baixa Casamansa (Senegal), e Truká, às margens do rio São Francisco.
Entre os Joola, cultos denominados ukin estão profundamente relacionados a lugares, florestas e interditos que participam da conservação ambiental. Paul Diédhiou propõe compreender essas relações como uma ecologia relacional, na qual humanos e não humanos não constituem mundos separados. Entre os Truká, a conversa partirá dos saberes dos Troncos Velhos e das relações entre território, Jurema, Toré, ancestralidade e seres encantados.
Mais do que buscar equivalências entre diferentes tradições, o encontro pretende colocar em diálogo modos de existência e conhecimentos produzidos em territórios historicamente atravessados pela colonização. O que acontece quando uma mata, uma ilha, uma árvore, um animal ou um lugar não são percebidos apenas como “recursos naturais”, mas como espaços habitados por presenças, relações e obrigações? De que maneira cultos, encantados, interditos e práticas rituais estabelecem limites à exploração dos territórios e participam de sua proteção?
A roda propõe, assim, um encontro entre os Joola da Baixa Casamansa, no Senegal, e os Truká do Submédio São Francisco, colocando em diálogo modos de habitar territórios povoados por diferentes seres e presenças, nos quais cuidar da mata, das águas e da terra implica também cultivar relações, respeitar interditos e reconhecer formas de existência que ultrapassam o mundo humano.
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